segunda-feira, 24 de novembro de 2025

COP 30 - O que será do futuro climático do planeta?

 


A cada convenção, fórum de debates ou reunião de cúpulas sobre a crise climática global, a  percepção que fica é de que rumamos para um cenário pessimista deste dilema contemporâneo. Analisando os esforços globais, como a COP 30 com seu desfecho descrito pelo jornal The Guardian, é possível construir uma reflexão que navega entre o pessimismo realista e um frágil fio de esperança.

A narrativa de sucesso de cimeiras como a COP 30 é, frequentemente, a de um "acordo de último minuto" que salva o processo diplomático da falência. No entanto, este triunfo é invariavelmente diluído pela realidade: os compromissos continuam a ser insuficientes para travar o aquecimento global abaixo de 1,5°C, as finanças para os países mais vulneráveis são escassas e a implementação fica à mercê da vontade política de cada nação. O sistema baseia-se na lógica do menor denominador comum, onde a soberania nacional e os interesses econômicos de curto prazo são, de fato, os pilares inabaláveis. Cresce a desconfiança de que estes acordos estão fadados à ineficácia por priorizarem o lucro e a economia;  este é um diagnóstico preciso da arquitetura do problema.

Aqui reside o paradoxo insuperável: a solução radical, um "reset económico" que desmonte a engrenagem de consumo e produção baseada em combustíveis fósseis, é vista como politicamente inviável. Qualquer nação que o tentasse unilateralmente arriscaria a sua competitividade no tabuleiro global, um preço que nenhum líder está disposto a pagar. A "soberania" torna-se, assim, o escudo por detrás do qual se protegem não apenas identidades nacionais, mas também poderosos interesses instalados. Esta resistência transforma a ação climática numa corrida onde os corredores estão amplamente presos a cadeias limitantes.

Perante este cenário, o pessimismo  é a reação compreensível e lógica. A trajetória atual não aponta para um futuro sem catástrofes ambientais severas. Uma possível solução realmente eficaz para a mitigação ambiental ainda está no âmbito do desconhecido. Esta deveria ser algo que transcenda ou suplante os interesses e o egoísmo humano. Com certeza os olhos dos verdadeiros cristãos devem estar sendo dirigidos para o alto - a volta do Senhor Jesus é a saída não só para este, mas para os demais dilemas humanos.

Podemos, portanto, olhar para o futuro ambiental do mundo não com um pessimismo resignado, mas com um realismo lúcido. O mundo não irá unir-se num consenso harmonioso para salvar o planeta. Em vez disso, o futuro daqui até a volta de Jesus será moldado por uma colisão contínua entre a crise climática em aceleração e a ação  crescente mas pouco eficaz de atores estatais e não-estatais, enquanto  a humanidade buscará se adaptar a um mundo mais quente e instável.  A esperança, nesse contexto, deixa de ser uma expectativa no sucesso dos recursos e estratégias humanas, passando a ser na bondade e graça de Deus em apressar o seu reino, estabelecendo seu domínio e governo eternos.

Refletindo na volta de Jesus - segunda parte

 


Às vezes reflito na possibilidade de meu coração sentir plenitude com os prazeres e delícias deste mundo. É como se, diante da possibilidade de alcançar certo nível de estabilidade — uma vida confortável, um bom padrão socioeconômico, viagens, sabores raros, experiências refinadas; eu começasse a olhar para estas coisas como metas finais, e não como bênçãos passageiras. E é tentador imaginar um ciclo contínuo de prazeres: comer o que há de melhor, contemplar cenários magníficos, conhecer lugares deslumbrantes, viver experiências que o mundo chama de “realizações”. Parte de mim, confesso, já sonhou com isso como se aí estivesse escondida a felicidade.

Mas quando deixo a alma falar mais fundo, percebo uma verdade incômoda: nenhuma dessas coisas satisfaz por completo. Elas encantam, mas não sustentam. Alegram, mas não preenchem. É como se, depois de um tempo, tudo se tornasse “mais do mesmo”.  A intensidade do novo vira rotina, a emoção vira lembrança, o prazer vira hábito  e, no fim, nada disso acalma as carências profundas que carrego dentro de mim.

E o que é isso? Talvez seja exatamente aquilo que Schopenhauer enxergou como o dilema da existência humana: uma busca incessante por satisfação que, tão logo alcançada, se dissolva no tédio e na repetição. E quando penso nisso, lembro-me das palavras atribuídas a Dostoiévski, de que existe no ser humano uma lacuna do tamanho de Deus. Talvez  essa aspiração íntima não saciada, que mesmo as melhores experiências deste mundo não conseguem preencher seja a carência Dele, um desejo por  dignidade, realização e glória que transcende a tudo que existe aqui.

Percebo, então, com mais clareza, que preciso dEle. Preciso do Deus que me criou com essa sede e que é o único capaz de saciá-la. Preciso da promessa de Jesus, não como uma doutrina distante, mas como a âncora da minha identidade e o destino definitivo do meu coração. É por isso que a volta de Jesus se torna, para mim, mais do que um evento teológico: torna-se a suprema esperança.

É nela que a inquietação da minha alma encontra repouso. É nela que minhas contradições ganham sentido. É nela que a eternidade deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser o lar para o qual sempre estive destinado.

E por isso, mesmo quando o mundo me oferece seus brilhos, mesmo quando meu coração flerta com a comodidade, há algo mais forte, mais profundo, mais verdadeiro me chamando. Uma voz que diz:

“A tua plenitude não está aqui. A tua vida está em Mim.”

"Ele fez tudo belo a seu tempo. Também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este consiga compreender a obra que Deus fez do começo ao fim." (Eclesiastes 3:11).

sábado, 22 de novembro de 2025

Refletindo na volta de Jesus


 

Às vezes me pego sentado em silêncio, deixando o pensamento repousar naquele dia que, para mim, é o mais aguardado de todos: a volta de Jesus. Quanto mais as notícias se amontoam, quanto mais o mundo parece girar rápido demais — entre dores, injustiças e incertezas — mais meu coração se volta para essa promessa. E, ainda assim, confesso: não me sinto plenamente preparado. Como poderia estar? O retorno do meu Senhor é algo tão grandioso que nenhuma disciplina espiritual, nenhum esforço humano, nenhum acúmulo de boas intenções poderia me dar a sensação de estar “à altura” desse encontro.

Carrego comigo uma vida inteira tentando seguir o discipulado, tentando modelar minhas escolhas pelas palavras de Cristo. Mas, no fundo, sei que sou pequeno. Sei que tropeço. Sei que carrego contradições. E é justamente nesse reconhecimento que encontro descanso: não confio em mim, confio na graça. Sei que o que me justifica não é a força da minha piedade, mas o sacrifício perfeito de Jesus. Ele é minha segurança, meu abrigo e minha esperança naquele dia.

E quanto mais penso nisso, mais meu coração se aquece. A expectativa não é feita apenas de temor diante da grandeza de Deus, mas de alegria profunda. Porque a volta de Jesus não é apenas um evento: é o início de tudo aquilo que sempre desejei — o fim da dor, o fim da morte, o fim das lágrimas que tantas vezes escondi. É o início de um mundo restaurado, onde a justiça deixa de ser um anseio e se torna realidade, onde a paz não precisa ser buscada porque finalmente residirá entre nós.

Imaginar esse momento desperta em mim um clamor que eu mal consigo conter. Mesmo sem estar plenamente pronto, mesmo com receios e falhas, há dentro de mim um grito de esperança, uma exultação que nasce da certeza de que Jesus virá — e quando Ele vier, tudo será transformado.

Maranata! Vem, Senhor Jesus!

"Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem aflição, nem choro, nem dor, pois as coisas antigas já passaram. Aquele que estava assentado no trono disse: ― Vejam, eu farei novas todas as coisas! E acrescentou: ― Escreva isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança." Apocalipse 21:4-5.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Por que a Terra é tão especial? Acaso ou propósito?

 


Quando observamos as condições que tornam possível a vida na Terra, é difícil não nos impressionarmos. Temperatura adequada, atmosfera protetora, água líquida abundante, campo magnético, distância perfeita do Sol, um satélite (a Lua) que estabiliza o eixo do planeta, tectonismo que recicla nutrientes, uma estrela relativamente estável… A convergência desses fatores cria um cenário que parece quase “sob medida” para a vida florescer. Essa impressão de precisão desperta em muitas pessoas a pergunta inevitável: isso tudo aconteceu por acaso ou revela um propósito?

Probabilidade, acaso ou propósito?

Do ponto de vista científico, a vida como conhecemos exige um conjunto de condições extremamente específicas. À medida que conhecemos mais exoplanetas, constatamos que combinar todos esses fatores em um único mundo parece raro, mesmo em um universo com trilhões de galáxias e incontáveis estrelas.

Mas a ciência também ensina que raridade não implica impossibilidade. Algo pode ser improvável e ainda assim ocorrer, especialmente quando o número de tentativas (planetas possíveis) é extremamente alto.

No entanto, a coincidência de tantos elementos funcionando de maneira harmônica leva-nos  a enxergar mais do que simples acaso. A percepção de propósito é uma interpretação válida e profundamente humana. Muitos filósofos, teólogos e cientistas veem na convergência desses fatores uma assinatura, uma “engenharia cósmica”, uma intenção — aquilo que chamam de Deus, Inteligência Criadora ou Princípio Organizador.

Essa posição é reforçada pela chamada “Sutileza das Constantes Universais” (fine-tuning): certas propriedades fundamentais do universo (como força da gravidade, massa dos elétrons, constante cosmológica) parecem ajustadas com precisão tal que, se fossem mínimas frações diferentes, estrelas, planetas e átomos estáveis sequer existiriam.

Para a visão teísta, esse conjunto de condições não apenas sugere, mas fortalece a ideia de uma mente por trás do cosmos.

Para a pergunta: qual a probabilidade de tudo isso ocorrer por mero acaso? A resposta honesta é: não sabemos calcular com precisão. Mas, sob a perspectiva do que conhecemos hoje, a probabilidade de um planeta reunir tantas condições é extremamente pequena, levando muitos cientistas a admitirem que a Terra parece, sim, extraordinária.

Mesmo com condições ideais, a origem da vida é outro desafio

Mesmo que aceitemos que condições propícias surgiram por sorte, isso não resolve o grande mistério: como a vida começou?

A abiogênese , surgimento espontâneo da vida a partir de matéria inanimada , ainda é uma hipótese não comprovada. Existem teorias, modelos e experimentos que mostram caminhos plausíveis, mas nada definitivo.

A ciência procura descrever como as coisas acontecem. A filosofia e a teologia se ocupam em responder por que elas acontecem. Assim, a visão de que a vida e as condições da Terra são parte de um plano deliberado não contradiz a ciência; é uma interpretação legítima baseada no que observamos e no sentimento de que há ordem e coerência profunda no cosmos.

E mesmo quem adota uma perspectiva científica e não religiosa muitas vezes reconhece que o universo tem uma aparência de intencionalidade — algo que o físico Freeman Dyson expressou poeticamente:

“É como se o universo soubesse que nós viríamos.”

Conclusão

A convergência de fatores que tornam a vida possível na Terra pode ser vista como:

  • uma sequência rara de condições naturais,

  • um evento estatisticamente improvável em um universo vasto,

  • ou uma evidência forte de propósito, design e intenção.

Cada pessoa escolhe qual interpretação seguir. Independentemente da interpretação escolhida, fato é que tanto a vida quanto o próprio universo apresentam uma harmonia e uma fineza de detalhes que continuam a maravilhar cientistas, filósofos e crentes.







quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Resiliência: a serenidade diante da vida

 


Algumas pessoas parecem possuir uma força interior silenciosa que as faz resistir com leveza aos reveses da vida. Enquanto uns se desesperam diante da perda, da doença ou da injustiça, outros mantêm uma disposição surpreendente, quase serena, como se tivessem aprendido a dialogar com a dor. O que explica essa diferença? Seria uma questão de temperamento, herança genética, ou fruto de algo mais profundo?

A psicologia moderna reconhece que há, de fato, traços biológicos ligados à capacidade de adaptação. Certas pessoas nascem com sistemas nervosos menos reativos, níveis mais equilibrados de neurotransmissores como a serotonina e maior tolerância ao estresse. Esses fatores influenciam o modo como reagimos às dificuldades. Contudo, embora a biologia nos ofereça predisposições, ela não define quem seremos. A resiliência não é apenas um dom natural — é também uma conquista espiritual e emocional.

A diferença essencial está na atitude interior diante do sofrimento. Pessoas resilientes não negam a dor, nem a romantizam. Elas a acolhem como parte da experiência humana e, em vez de se fixarem na perda, buscam um sentido dentro dela. Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente dos campos de concentração, dizia que “quem tem um porquê enfrenta quase qualquer como”. Essa é a chave: a capacidade de transformar o sofrimento em aprendizado e de encontrar propósito mesmo nas sombras.

Nesse sentido, a espiritualidade — seja religiosa ou existencial — exerce papel central. A fé, em suas diversas expressões, oferece uma moldura de significado que dá coerência ao caos. O apóstolo Paulo expressa isso em uma das passagens mais belas de suas cartas:

“Aprendi a estar contente em toda e qualquer situação... Tudo posso naquele que me fortalece.”
(Filipenses 4:11-13)

O verbo “aprendi” revela que o contentamento não é natural, mas adquirido. Paulo não ignorava as privações, mas aprendeu a não ser escravo delas. Sua serenidade vinha da confiança de que a vida, ainda quando obscura, é sustentada por uma ordem maior. Ele não se conformava passivamente, mas encontrava paz ativa — a aceitação que transforma o inevitável em crescimento.

E nós também podemos aprender. A mente pode ser reeducada. O cultivo da gratidão, da compaixão e da presença consciente (o “estar no agora”) fortalece circuitos cerebrais associados à calma e à esperança. A prática da oração ou da meditação treina a alma para permanecer centrada mesmo quando tudo ao redor se move. A cada experiência dolorosa, quando escolhemos não fugir, mas compreender, estamos refinando a arte da resiliência.

Assim, ser resiliente não é se conformar, mas compreender o que não pode ser mudado e agir sobre o que pode. É a sabedoria de permanecer inteiro mesmo quando a vida se fragmenta. A biologia pode oferecer o terreno, mas é a consciência — iluminada pela fé e pelo autoconhecimento — que decide o que nele florescerá. Aprender a cultivar o solo da alma não é conformismo, mas sabedoria — compreender que a paz interior não vem da ausência de problemas, mas da presença de um propósito.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

O que nos dizem os vários mitos do Dilúvio?

 

A presença de relatos de um grande dilúvio em civilizações antigas espalhadas pelo mundo, como os sumérios, babilônios, gregos, chineses, indígenas americanos e até povos africanos e austronésios, tem sido objeto de fascínio tanto para historiadores quanto para teólogos. Esses mitos, embora variem em detalhes, apresentam um tema comum: a destruição quase total da humanidade por uma inundação universal, seguida pela preservação de alguns sobreviventes escolhidos.

Para a fé cristã, essa recorrência possui um profundo significado. Em primeiro lugar, ela reforça a historicidade e universalidade do relato bíblico de Noé, descrito em Gênesis 6–9. O fato de tantos povos, separados por grandes distâncias geográficas e culturais, possuírem memórias semelhantes de uma catástrofe aquática sugere que possa haver um núcleo histórico comum, preservado e reinterpretado em diferentes tradições. Muitos estudiosos cristãos veem nisso uma confirmação indireta da veracidade do relato bíblico: a narrativa de Noé não seria uma invenção isolada, mas a preservação mais fiel de um evento real vivido pelos ancestrais da humanidade.

Por outro lado, a presença de mitos semelhantes também é interpretada teologicamente como um reflexo da realidade espiritual da humanidade. Mesmo após a dispersão dos povos, permanecem vestígios de uma memória comum do juízo divino e da salvação — temas centrais da fé cristã. Assim, os mitos de dilúvio em outras culturas podem ser vistos como ecos distorcidos da verdade original, preservados na consciência humana como lembranças arquetípicas do pecado, do castigo e da misericórdia divina.

Além disso, essa convergência de narrativas permite aos cristãos reconhecer a ação de Deus na história universal, não restrita a Israel, mas manifesta também nas tradições e mitos de outros povos. Isso aprofunda a compreensão da fé cristã como universal, capaz de dialogar com culturas distintas e encontrar nelas sinais de uma verdade comum da origem dos povos
.

Em resumo, os mitos de dilúvio presentes em diversas culturas não enfraquecem a fé cristã — pelo contrário, podem fortalecê-la, mostrando que a mensagem bíblica ressoa com a experiência e a memória espiritual de toda a humanidade. A história de Noé, portanto, é mais do que um relato antigo: é um testemunho da justiça e da graça de Deus, inscrito não apenas nas páginas da Escritura, mas também na própria memória coletiva da humanidade.

Exemplos Específicos de Mitos de Dilúvio:

  • Mesopotâmia – Utnapishtim: No relato da épica de Gilgamesh, Utnapishtim é advertido pela divindade Ea (ou Enki) de que os deuses decidiram inundar a terra porque a humanidade estava fazendo demasiado barulho. Ele constrói uma embarcação, salva sua família e todos os seres vivos, e após o dilúvio recebe imortalidade. 

  • Grécia – Deucalião e Pirra: Segundo a mitologia grega, Deucalião e sua esposa Pirra foram os únicos sobreviventes de um dilúvio enviado por Zeus por causa da maldade humana. Eles sobreviveram numa arca ou baú, e ao final repovoaram a terra atirando pedras que se transformaram em pessoas. 

  • Índia – Manu e o Matsya: Na tradição hindu, Manu é avisado por um peixe divino (Matsya, avatar de Vishnu) de que a inundação virá. Ele constrói uma barca, reúne sementes de vida, e após o dilúvio restabelece a humanidade. 

  • Andes – Unu Pachakuti: No mito dos povos andinos, o deus criador Viracocha envia uma inundação (Unu Pachakuti) para destruírem-se os humanos indisciplinados, poupando um homem e uma mulher que repovoariam o mundo. 


Referências

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Por que o mundo não leva a sério a volta de Jesus?

 



Dwight L. Moody, o grande evangelista do século XIX, costumava contar uma história singela, mas cheia de verdade espiritual.

Um circo havia se instalado perto de uma pequena vila. Numa noite tranquila, um incêndio começou de forma inesperada — uma lamparina tombou, as lonas secas se inflamaram, e logo as chamas se espalharam. O diretor, tomado pelo desespero, gritou:

“Corram à vila e avisem! Peçam ajuda, antes que o fogo alcance as casas!”

Os primeiros a saírem foram os palhaços. Estavam prontos, com suas roupas coloridas e rostos pintados. Correram pela estrada, gritando:

“Fogo! Fogo! O circo está pegando fogo!”

Mas, ao chegarem à vila, as pessoas riram. Achavam que era apenas mais uma brincadeira, uma forma de chamar a atenção para o espetáculo. Quanto mais os palhaços insistiam, mais os moradores zombavam.
E enquanto o povo ria, o fogo avançava.
Quando finalmente perceberam a verdade, era tarde demais — o circo e a vila estavam em ruínas.

Moody usava essa história como uma parábola espiritual. Quantas vezes, ele dizia, a humanidade reage do mesmo modo diante dos avisos de Deus! As pessoas ouvem falar de juízo, de arrependimento, de salvação, e pensam que é apenas mais uma fábula religiosa — um conto piedoso para assustar ou emocionar. Riem, zombam, ou simplesmente ignoram.

Mas há também uma advertência para os mensageiros.
Os palhaços, ainda que falassem a verdade, pareciam parte de uma comédia. Sua aparência contradizia a urgência da mensagem. Da mesma forma, hoje há cristãos que anunciam a breve volta de Cristo, mas suas vidas não testemunham o poder dessa esperança. Falamos de arrependimento, mas vivemos distraídos. Pregamos sobre santidade, mas com o coração dividido. Dizemos que o tempo é curto, mas agimos como se houvesse séculos à frente.

Talvez o mundo não acredite não apenas porque não quer ouvir, mas porque nós não parecemos convencidos daquilo que dizemos.

O fogo já começou a arder. As profecias se cumprem diante dos nossos olhos. O tempo da graça se aproxima do fim. E, enquanto muitos ainda riem, o Espírito Santo clama:

“Desperta, tu que dormes!”

Que não sejamos palhaços gritando em vão, mas voz viva e verdadeira, marcada por convicção, amor e poder.
Que cada palavra nossa, cada atitude, cada gesto, seja um testemunho de que Jesus está às portas, e que há salvação para quem crê.

“Eis que venho sem demora, e comigo está a recompensa que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.”
(Apocalipse 22:12)

 Oração:
Senhor, desperta-nos para a realidade da Tua vinda. Que nossas palavras não sejam apenas ecos vazios, mas testemunhos vivos da Tua verdade. Dá-nos convicção, pureza e fervor, para que o mundo veja em nós a luz da esperança e não apenas o reflexo da indiferença. Em nome de Jesus, amém.