Muitos veem a besta do Apocalipse tendo uma expressão aberta contra Cristo. Mas o caráter dela é definido pela palavra grega anti, que não significa apenas "contra", mas também "aquele que usurpa o lugar de". A besta pode ser ilustrada por como um "fã patológico" que odeia o mestre, mas imita seus trejeitos para tomar o seu lugar.
Na Bíblia encontramos uma "contrafação do poder de Cristo" pela besta ou anticristo em diversos pontos:
A aparência: Enquanto Cristo é o Cordeiro que foi morto e reviveu, a besta surge com uma aparência de cordeiro, mas fala como dragão (Apoc. 5:12-14; 13:11).
A ferida mortal: Assim como Cristo ressuscitou, a besta tem uma cabeça degolada que parece reviver, imitando o milagre da ressurreição (Apoc. 13:3).
A origem: O Anticristo surge de dentro do seio do cristianismo (apostasia), apresentando-se como uma alternativa religiosa e moral (II Tes. 2:3-4).
A Paz como Instrumento de Engano
O grande perigo do fim dos tempos é o engano espiritual. A besta não se apresentará como um monstro horrendo que todos repudiarão, mas como uma figura capaz de trazer ordem e paz a um mundo em colapso. Por isso, a vigilância sugerida por Cristo não é um chamado ao medo, mas um convite à profundidade espiritual para não sermos confundidos por uma imitação que, embora pareça o verdadeiro "Cordeiro", possui a voz e as intenções do dragão.
Um ponto crucial e frequentemente ignorado é que o cenário final do mundo pode não ser de caos bélico total, mas de uma paz pacificada e unificada pelo Anticristo. Enquanto a compreensão popular foca nas guerras como o sinal do fim, o texto bíblico sugere que o Anticristo surgirá como um "salvador da pátria", propondo estruturas e ações para evitar uma destruição planetária completa.
Essa paz, ainda que paliativa e baseada em um controle rígido (como a impossibilidade de comprar ou vender sem a marca da besta), fará com que o mundo se "maravilhe". É sob esse manto de estabilidade e segurança que a humanidade será levada ao engano, acreditando ter encontrado a solução para seus maiores conflitos.
Nesta perspectiva, o Armagedom deve ser entendido não como um confronto bélico ou militar clássico, mas como um conflito moral e espiritual definitivo. O discernimento será a ferramenta principal, pois a batalha central gira em torno da adoração e da identidade: o selo de Deus contra a marca da besta. Não se trata apenas de quem tem o maior exército, mas de quem detém a verdade no coração.
Guerras e rumores de guerras sempre estiveram presentes na história da humanidade. Mas o que se sobressai nos tempos atuais é o aspecto global. Historicamente, grandes conflitos como a Primeira e a Segunda Guerra Mundial foram eventos majoritariamente eurocêntricos. Mas agora com os conflitos atuais e a possibilidade de uma terceira guerra mundial, as consequências e a escala do conflito serão de fato globais.
Pela primeira vez na história, vivemos em um mundo onde uma crise pode afetar simultaneamente cada indivíduo no planeta, independentemente de sua fé, ideologia ou localização geográfica. A última pandemia é um exemplo claro de fatos com abrangência global, onde todos, sem exceção, foram submetidos às mesmas regras e desafios. Assim as guerras atuais e as crises econômicas decorrentes delas afetam o contexto global e não meramente o local ou regional, como foram a maioria das guerras do passado apresentadas nos registros históricos.
Condizente a isto os fatos referentes ao tempo do fim, registrados no Apocalipse, apontam para algo literalmente universal (Apoc. 13:12,14). Dentro deste contexto surge outro fator muito significativo, o Senhor Jesus virá também porque o mundo não aguentaria muito tempo - certamente seria destruído pelo próprio homem, pela escala dos conflitos e crises decorrentes.

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