As notícias que chegam diariamente às nossas casas parecem, cada vez mais, reproduzir as palavras de Jesus no Monte das Oliveiras.
Segundo dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, existem atualmente mais de 130 conflitos armados no mundo, aproximadamente o dobro do que havia 15 anos atrás. O próprio CICV alerta para uma realidade marcada por guerras mais prolongadas, complexas e capazes de atingir gerações inteiras.
Ao mesmo tempo, o mundo nunca deixou de investir pesadamente em sua capacidade de fazer guerra. Dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) mostram que os gastos militares mundiais chegaram a aproximadamente US$ 2,89 trilhões em 2025, o décimo primeiro ano consecutivo de crescimento.
Para termos uma dimensão desse valor, o orçamento regular aprovado para toda a Organização das Nações Unidas em 2026 é de US$ 3,45 bilhões. Em outras palavras, os gastos militares de um único ano equivalem a mais de 800 vezes o orçamento regular anual da ONU.
Não é difícil perceber a contradição: enquanto a humanidade fala em paz, cooperação e diplomacia, enormes recursos continuam sendo empregados na preparação para a guerra.
E é justamente nesse cenário que as palavras de Jesus ganham uma dimensão que merece nossa atenção.
Em Mateus 24, os discípulos perguntaram a Jesus:
“Que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século?”
A resposta começou com uma advertência: “Vede que ninguém vos engane.” Depois vieram as palavras sobre guerras e rumores de guerras, nação contra nação, reino contra reino, fomes, terremotos e perseguições. Mas Jesus acrescentou algo fundamental:
“Tudo isto é o princípio das dores.”
Portanto, não devemos olhar para cada guerra como se pudéssemos, por meio dela, estabelecer uma data para a volta de Cristo. A Bíblia não nos autoriza a fazer isso. O próprio Jesus disse que aqueles acontecimentos seriam sinais, mas “ainda não é o fim”. (Mateus 24:6).
Entretanto, também seria um erro ignorar o quadro profético.
A Bíblia apresenta uma humanidade marcada por conflitos, rebelião, sofrimento e afastamento de Deus. E, em Apocalipse 11:18, encontramos uma expressão impressionante:
“Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira...”
O texto apresenta as nações em sua ira e, em seguida, fala da ira de Deus, do juízo e da recompensa dos servos de Deus. Não precisamos afirmar que cada conflito atual seja diretamente um cumprimento dessa passagem. Mas podemos reconhecer que a realidade descrita diante dos nossos olhos nos lembra a seriedade do cenário apresentado pelas Escrituras.
A pergunta, então, não deveria ser apenas:
“Será que estamos vendo o cumprimento das profecias?”
Talvez a pergunta mais importante seja:
“Estamos preparados para encontrar o Senhor?”
Porque Jesus não apresentou esses sinais para alimentar curiosidade, medo ou especulação. Ele os apresentou para chamar Seus seguidores à vigilância, perseverança e fidelidade.
O mundo se arma para a guerra.
A humanidade procura segurança em seu poder militar.
As nações se enfrentam.
Tratados são feitos e quebrados.
Novas ameaças surgem.
Conflitos antigos reaparecem.
E milhões de pessoas vivem sob o medo da violência.
Mas, diante de tudo isso, a igreja é chamada a olhar para uma realidade maior.
Cristo está voltando.
“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.”
Enquanto muitos perguntam o que acontecerá com este mundo, a igreja deve proclamar que o reino deste mundo passará, mas o reino de Cristo permanecerá para sempre.
Talvez este seja o grande chamado do nosso tempo:
não apenas observar os sinais, mas preparar o coração.
Cristo vem. Estamos preparados?






