Nesta semana, durante as intensas chuvas que atingiram Criciúma e boa parte do Sul do Brasil, presenciei – ainda que por meio de um vídeo que circulou nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp – uma cena que me chamou profundamente a atenção.
Em um bar não muito distante da minha casa, algumas pessoas permaneciam tranquilamente sentadas, bebendo e conversando, enquanto a água da enchente já tomava boa parte do recinto. A cena, por si só, era inusitada. Mas havia algo ainda mais impressionante: aquelas pessoas pareciam absolutamente acomodadas diante de uma situação que, em outras circunstâncias, certamente provocaria preocupação e uma reação imediata.
O vídeo acabou viralizando nas redes sociais. E não é difícil entender o motivo. Afinal, o bairro onde aquele bar está localizado possui um histórico de severas enchentes, que ao longo dos anos já causaram danos materiais e grandes prejuízos a muitos moradores.
Enquanto eu observava aquela cena, uma questão me veio à mente e que tem relação aos últimos dias da história deste mundo.
Jesus se referindo aos sinais dos tempos assim expressou:
“Pois assim como foi nos dias de Noé, também será na vinda do Filho do Homem. Porque, nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos.” - Mateus 24:38-39.
Nos dias de Noé, as pessoas continuavam vivendo normalmente. Comiam, bebiam, casavam-se, faziam seus planos e seguiam suas rotinas. Não há nada de errado, em si mesmo, em comer, beber, casar ou trabalhar. O problema estava na indiferença diante dos sinais e do chamado de Deus.
Enquanto Noé construía a arca, havia uma realidade se aproximando que mudaria tudo. Mas, aparentemente, para a maioria das pessoas, a vida continuava normalmente.
A cena daquele bar me fez pensar justamente nisso.
A água já estava dentro do estabelecimento, mas as pessoas continuavam bebendo como se nada estivesse acontecendo.
E será que, de alguma maneira, não estamos fazendo algo parecido?
Vivemos em uma época marcada por acontecimentos extraordinários. Mudanças profundas acontecem diante dos nossos olhos. Guerras, catástrofes, crises, transformações sociais, avanços tecnológicos inimagináveis e acontecimentos que, em outras épocas, talvez abalassem profundamente a sociedade parecem, muitas vezes, produzir apenas alguns minutos de atenção antes que todos voltem à rotina.
É como se estivéssemos nos acostumando com o extraordinário ou nos tornando insensíveis aos fatos que deveriam despertar alguma atitude mais decisiva em nós.
Talvez este seja um dos maiores perigos do nosso tempo: a capacidade de permanecer acomodado mesmo quando a crise já está chegando.
As pessoas continuam trabalhando, consumindo, divertindo-se, fazendo planos, construindo seus projetos e seguindo suas vidas. E, enquanto isso, a Bíblia continua anunciando uma realidade que não deveria ser ignorada: Jesus Cristo voltará.
Não estou dizendo que cada acontecimento que vemos no mundo seja, isoladamente, uma prova de que o fim chegou. Jesus mesmo advertiu sobre isso. Mas a comparação que Ele fez com os dias de Noé deveria, no mínimo, nos levar à reflexão.
O mais assustador na passagem de Mateus não é apenas o fato de que o dilúvio veio. É que “eles nada perceberam”.
O problema não era simplesmente que o dilúvio estava chegando. O problema era que as pessoas estavam tão envolvidas com a normalidade da vida que não perceberam a gravidade do momento em que estavam vivendo.
Talvez essa seja uma pergunta que cada um de nós precise fazer a si mesmo:
Será que estamos tão distraídos com a vida presente que já não percebemos aquilo que Deus está nos dizendo?
A cena daquele bar ficou na minha memória porque ela retrata, de certa forma, uma realidade espiritual que Jesus já havia anunciado. A água subia, mas as pessoas continuavam bebendo.
E talvez essa seja uma imagem que devemos levar para além daquela enchente.
Não sabemos o dia nem a hora da volta de Cristo. Mas sabemos o que Ele prometeu. E, diante dessa promessa, a resposta não deveria ser pânico, especulação ou medo. Deveria ser vigilância.
O mundo pode continuar funcionando aparentemente como sempre.
As pessoas podem continuar comendo, bebendo, trabalhando, fazendo planos e seguindo suas vidas.
Mas enquanto muitos permanecem distraídos com aquilo que é passageiro, a Palavra de Deus continua nos lembrando de que Jesus Cristo voltará. E, quando Ele vier, já não será hora de perceber. Será hora de estar preparado.







