sábado, 26 de setembro de 2026

Guerras, rumores de guerras e a proximidade da volta de Cristo


As notícias que chegam diariamente às nossas casas parecem, cada vez mais, reproduzir as palavras de Jesus no Monte das Oliveiras.

Segundo dados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, existem atualmente mais de 130 conflitos armados no mundo, aproximadamente o dobro do que havia 15 anos atrás. O próprio CICV alerta para uma realidade marcada por guerras mais prolongadas, complexas e capazes de atingir gerações inteiras. 

Ao mesmo tempo, o mundo nunca deixou de investir pesadamente em sua capacidade de fazer guerra. Dados do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) mostram que os gastos militares mundiais chegaram a aproximadamente US$ 2,89 trilhões em 2025, o décimo primeiro ano consecutivo de crescimento.

Para termos uma dimensão desse valor, o orçamento regular aprovado para toda a Organização das Nações Unidas em 2026 é de US$ 3,45 bilhões. Em outras palavras, os gastos militares de um único ano equivalem a mais de 800 vezes o orçamento regular anual da ONU.

Não é difícil perceber a contradição: enquanto a humanidade fala em paz, cooperação e diplomacia, enormes recursos continuam sendo empregados na preparação para a guerra.

E é justamente nesse cenário que as palavras de Jesus ganham uma dimensão que merece nossa atenção.

Em Mateus 24, os discípulos perguntaram a Jesus:

“Que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século?”

A resposta começou com uma advertência: “Vede que ninguém vos engane.” Depois vieram as palavras sobre guerras e rumores de guerras, nação contra nação, reino contra reino, fomes, terremotos e perseguições. Mas Jesus acrescentou algo fundamental:

“Tudo isto é o princípio das dores.”

Portanto, não devemos olhar para cada guerra como se pudéssemos, por meio dela, estabelecer uma data para a volta de Cristo. A Bíblia não nos autoriza a fazer isso. O próprio Jesus disse que aqueles acontecimentos seriam sinais, mas “ainda não é o fim”. (Mateus 24:6).

Entretanto, também seria um erro ignorar o quadro profético.

A Bíblia apresenta uma humanidade marcada por conflitos, rebelião, sofrimento e afastamento de Deus. E, em Apocalipse 11:18, encontramos uma expressão impressionante:

“Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira...” 

O texto apresenta as nações em sua ira e, em seguida, fala da ira de Deus, do juízo e da recompensa dos servos de Deus. Não precisamos afirmar que cada conflito atual seja diretamente um cumprimento dessa passagem. Mas podemos reconhecer que a realidade descrita diante dos nossos olhos nos lembra a seriedade do cenário apresentado pelas Escrituras.

A pergunta, então, não deveria ser apenas:

“Será que estamos vendo o cumprimento das profecias?”

Talvez a pergunta mais importante seja:

“Estamos preparados para encontrar o Senhor?”

Porque Jesus não apresentou esses sinais para alimentar curiosidade, medo ou especulação. Ele os apresentou para chamar Seus seguidores à vigilância, perseverança e fidelidade.

O mundo se arma para a guerra.
A humanidade procura segurança em seu poder militar.
As nações se enfrentam.
Tratados são feitos e quebrados.
Novas ameaças surgem.
Conflitos antigos reaparecem.
E milhões de pessoas vivem sob o medo da violência.

Mas, diante de tudo isso, a igreja é chamada a olhar para uma realidade maior.

Cristo está voltando.

“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.” 

Enquanto muitos perguntam o que acontecerá com este mundo, a igreja deve proclamar que o reino deste mundo passará, mas o reino de Cristo permanecerá para sempre.

Talvez este seja o grande chamado do nosso tempo:

não apenas observar os sinais, mas preparar o coração.

Cristo vem. Estamos preparados?


 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Acomodação - o espírito da época atual


 

Nesta semana, durante as intensas chuvas que atingiram Criciúma e boa parte do Sul do Brasil, presenciei – ainda que por meio de um vídeo que circulou nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp – uma cena que me chamou profundamente a atenção.

Em um bar não muito distante da minha casa, algumas pessoas permaneciam tranquilamente sentadas, bebendo e conversando, enquanto a água da enchente já tomava boa parte do recinto. A cena, por si só, era inusitada. Mas havia algo ainda mais impressionante: aquelas pessoas pareciam absolutamente acomodadas diante de uma situação que, em outras circunstâncias, certamente provocaria preocupação e uma reação imediata.

O vídeo acabou viralizando nas redes sociais. E não é difícil entender o motivo. Afinal, o bairro onde aquele bar está localizado possui um histórico de severas enchentes, que ao longo dos anos já causaram danos materiais e grandes prejuízos a muitos moradores.

Enquanto eu observava aquela cena, uma questão me veio à mente e que tem relação aos últimos dias da história deste mundo. 

 Jesus se referindo aos sinais dos tempos assim expressou:

“Pois assim como foi nos dias de Noé, também será na vinda do Filho do Homem. Porque, nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos.” - Mateus 24:38-39.

Nos dias de Noé, as pessoas continuavam vivendo normalmente. Comiam, bebiam, casavam-se, faziam seus planos e seguiam suas rotinas. Não há nada de errado, em si mesmo, em comer, beber, casar ou trabalhar. O problema estava na indiferença diante dos sinais e do chamado de Deus.

Enquanto Noé construía a arca, havia uma realidade se aproximando que mudaria tudo. Mas, aparentemente, para a maioria das pessoas, a vida continuava normalmente.

A cena daquele bar me fez pensar justamente nisso.

A água já estava dentro do estabelecimento, mas as pessoas continuavam bebendo como se nada estivesse acontecendo.

E será que, de alguma maneira, não estamos fazendo algo parecido?

Vivemos em uma época marcada por acontecimentos extraordinários. Mudanças profundas acontecem diante dos nossos olhos. Guerras, catástrofes, crises, transformações sociais, avanços tecnológicos inimagináveis e acontecimentos que, em outras épocas, talvez abalassem profundamente a sociedade parecem, muitas vezes, produzir apenas alguns minutos de atenção antes que todos voltem à rotina.

É como se estivéssemos nos acostumando com o extraordinário ou nos tornando insensíveis aos fatos que deveriam despertar alguma atitude mais decisiva em nós.

Talvez este seja um dos maiores perigos do nosso tempo: a capacidade de permanecer acomodado mesmo quando a crise já está chegando.

As pessoas continuam trabalhando, consumindo, divertindo-se, fazendo planos, construindo seus projetos e seguindo suas vidas. E, enquanto isso, a Bíblia continua anunciando uma realidade que não deveria ser ignorada: Jesus Cristo voltará.

Não estou dizendo que cada acontecimento que vemos no mundo seja, isoladamente, uma prova de que o fim chegou. Jesus mesmo advertiu sobre isso. Mas a comparação que Ele fez com os dias de Noé deveria, no mínimo, nos levar à reflexão.

O mais assustador na passagem de Mateus não é apenas o fato de que o dilúvio veio. É que “eles nada perceberam”.

O problema não era simplesmente que o dilúvio estava chegando. O problema era que as pessoas estavam tão envolvidas com a normalidade da vida que não perceberam a gravidade do momento em que estavam vivendo.

Talvez essa seja uma pergunta que cada um de nós precise fazer a si mesmo:

Será que estamos tão distraídos com a vida presente que já não percebemos aquilo que Deus está nos dizendo?

A cena daquele bar ficou na minha memória porque ela retrata, de certa forma, uma realidade espiritual que Jesus já havia anunciado. A água subia, mas as pessoas continuavam bebendo.

E talvez essa seja uma imagem que devemos levar para além daquela enchente.

Não sabemos o dia nem a hora da volta de Cristo. Mas sabemos o que Ele prometeu. E, diante dessa promessa, a resposta não deveria ser pânico, especulação ou medo. Deveria ser vigilância.

O mundo pode continuar funcionando aparentemente como sempre.

As pessoas podem continuar comendo, bebendo, trabalhando, fazendo planos e seguindo suas vidas.

Mas enquanto muitos permanecem distraídos com aquilo que é passageiro, a Palavra de Deus continua nos lembrando de que Jesus Cristo voltará. E, quando Ele vier, já não será hora de perceber. Será hora de estar preparado.

sábado, 19 de setembro de 2026

Trocando o Céu por Migalhas

 


O prazer proveniente do pecado  frequentemente se apresenta como  liberdade e satisfação imediata, mas esconde um preço alto. O prazer pode ser intenso, a experiência pode parecer irresistível e, por alguns instantes, pode até produzir a sensação de realização. Entretanto traz consigo a alienação de um bem maior, ou seja, de desfrutar comunhão com Deus e acabar sendo  apenas uma experiência ilusória na  vida.

A Bíblia apresenta essa realidade na história de Esaú, que, por causa de uma necessidade imediata, abriu mão de algo de grande valor. A Escritura afirma: “Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura” (Gênesis 25:34). Seu problema não estava simplesmente na fome, mas na incapacidade de enxergar o valor do que estava trocando. Uma necessidade momentânea tornou-se maior, aos seus olhos, do que uma bênção que possuía consequências duradouras.

Talvez uma das maiores batalhas espirituais seja aprender a confiar na providência de Deus. Muitas vezes, o ser humano pensa que, se abrir mão de determinado prazer, estará perdendo a melhor parte da vida. Surge então o medo: “E se Deus não tiver algo melhor para mim?” É justamente nesse ponto que a fé se torna necessária.

Jesus ensinou: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Deus não está interessado em empobrecer a existência humana. Ao contrário, Ele conhece profundamente aquilo de que necessitamos. Sua vontade não é simplesmente retirar prazeres, mas libertar-nos daquilo que transforma o prazer em senhor.

Isso não significa que toda satisfação ou desejo humano seja pecaminoso. O que Deus permite ou está pautado por sua lei conduz à  um caráter nobre e altruísta. O amor, a intimidade dentro dos limites estabelecidos por Deus são elementos salutares para a realização humana. 

O prazer proveniente do pecado pode, portanto, ser real e intenso, mas isso não significa que seja pleno. Essa distinção é fundamental. Algo pode proporcionar prazer e, ao mesmo tempo, produzir alienação de uma realização maior. Pode satisfazer o corpo por alguns instantes e deixar a alma mais vazia. Pode aliviar uma necessidade imediata e, simultaneamente, enfraquecer aquilo que sustenta a vida no longo prazo.

É aí que está a diferença entre prazer e plenitude.

O prazer pergunta: “O que isso me proporciona agora?”
A sabedoria pergunta: “No que isso está me transformando?”
A fé pergunta: “O que Deus deseja construir em minha vida?”

Quando confiamos na providência divina, começamos a compreender que Deus não nos chama para uma vida de privação sem propósito. Ele deseja formar em nós amor, dignidade, pureza, caráter, domínio próprio e maturidade. Ele conhece nossa personalidade, nossas potencialidades, nossas limitações e nossas necessidades muito melhor do que nós mesmos.

O salmista declarou: “Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente” (Salmo 84:11).

Essa promessa significa que  podemos confiar que aquilo que Deus considera ser verdadeiramente bom  é mais vantajoso que o prazer do pecado. A proposta de  Deus é   conceder algo de maneira muito mais bonita do que imaginávamos.

C. S. Lewis, ao refletir sobre nossos desejos, escreveu uma frase bastante conhecida: “Somos criaturas de coração dividido, brincando com bebida, sexo e ambição quando a alegria infinita nos é oferecida.” A imagem é provocadora porque revela nossa tendência de nos contentarmos com substitutos. Não porque todos os desejos humanos sejam ruins em si mesmos, mas porque frequentemente nos acomodamos a pequenas satisfações quando fomos feitos para algo infinitamente maior.

O pecado promete muito e entrega pouco. Deus pode pedir muito, mas promete aquilo que o pecado jamais poderá oferecer: reconciliação, sentido, transformação e vida eterna.

Por isso, abandonar determinado prazer não deveria ser encarado somente como uma perda. Pode ser uma declaração de confiança: “Eu acredito que Deus sabe o que é melhor para mim.”

Jesus fez uma pergunta que continua profundamente atual: “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mateus 16:26).

Talvez essa seja a pergunta que precisamos fazer diante de cada tentação: quanto vale aquilo que estou desejando, se o preço for abrir mão daquilo que é eterno?

Há prazeres que alimentam o corpo, mas enfraquecem o caráter. Há conquistas que aumentam o patrimônio, mas diminuem a paz. Há experiências que parecem liberdade, mas terminam em dependência. E há momentos em que precisamos ter coragem de dizer não a uma migalha, porque sabemos que fomos chamados para uma mesa muito maior.

Não precisamos acreditar que obedecer a Deus significa viver uma existência sem alegria. Pelo contrário. O chamado de Cristo é para uma vida verdadeiramente livre. “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10).

A verdadeira questão, então, não é simplesmente: “O que eu estou deixando de experimentar?” Mas: “O que estou escolhendo receber no lugar?”

Se trocarmos Deus por um prazer, podemos ganhar uma sensação e perder uma direção. Mas se entregarmos nossos desejos a Deus, poderemos descobrir que aquilo que parecia renúncia era, na verdade, preparação para algo maior.

Porque, no fim, o maior ato de fé talvez seja este: acreditar que aquilo que Deus tem para nós é melhor do que aquilo que o pecado está tentando nos convencer de que precisamos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

DNA - o Código da Vida demanda um Autor

 


No último domingo, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma interessante reportagem intitulada “O Código da Vida”, abordando um dos maiores mistérios e maravilhas da natureza: o DNA humano. A matéria utilizou uma comparação bastante apropriada ao descrever o DNA como uma espécie de partitura de uma grande sinfonia, na qual apenas quatro “letras” químicas — A, T, C e G — formam as instruções responsáveis por determinar inúmeras características de cada indivíduo, como altura, cor dos olhos, cor dos cabelos, formato do nariz, predisposição a determinadas características físicas e uma infinidade de outros aspectos biológicos.

A analogia com uma partitura musical é particularmente interessante. Uma sinfonia não surge por acaso. Cada nota está cuidadosamente posicionada para produzir harmonia, ritmo e beleza. Quando observamos uma composição de Mozart, Beethoven ou Bach, ninguém imagina que as notas tenham se organizado espontaneamente. A existência da música pressupõe um compositor. Da mesma forma, o DNA apresenta uma quantidade extraordinária de informação organizada, codificada e transmitida de geração em geração com precisão impressionante.

Dentro de cada célula do corpo humano existe uma biblioteca biológica contendo bilhões de informações codificadas. Esse sistema não apenas armazena dados, mas também os lê, interpreta, corrige erros e coordena processos extremamente complexos necessários à vida. Trata-se de um verdadeiro sistema de informação molecular, cuja sofisticação desafia a imaginação.

A questão que naturalmente surge é: como um código tão complexo poderia surgir sem a existência de uma inteligência que o concebeu? Em nossa experiência cotidiana, toda informação codificada possui uma origem inteligente. Livros exigem autores. Programas de computador exigem programadores. Partituras exigem compositores. Códigos pressupõem um codificador.

Além disso, a própria natureza demonstra que existe um padrão de organização e funcionalidade nas espécies. Os organismos vivos reproduzem-se segundo esse padrão, transmitindo características essenciais para a continuidade da vida. As raras exceções normalmente se manifestam na forma de mutações prejudiciais, doenças genéticas ou processos degenerativos. Isso levanta questionamentos sobre a ideia de que o acaso e processos não dirigidos seriam capazes de produzir, por si sós, toda a perfeição funcional observada nos sistemas biológicos.

Quando contemplamos a extraordinária engenharia do DNA, somos levados a refletir sobre as palavras do salmista:

“Eu Te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável; maravilhosas são as Tuas obras” (Salmo 139:14).

A descoberta da estrutura do DNA, longe de diminuir a ideia de um Criador, parece ampliar ainda mais o senso de admiração diante da complexidade da vida. Quanto mais a ciência avança na compreensão dos mecanismos biológicos, mais impressionante se torna a precisão dos processos que sustentam a existência.

O DNA constitui uma das mais fortes evidências de que a vida não é fruto de uma sequência de acidentes cósmicos, mas o resultado de um projeto intencional. A linguagem da genética, escrita com apenas quatro letras, revela uma complexidade comparável aos mais sofisticados sistemas de informação conhecidos pelo homem. E onde existe informação organizada, propósito e ordem, muitos enxergam a assinatura de um Autor.

O chamado “código da vida” continua sendo uma das maiores maravilhas já descobertas pela ciência. Ele aponta para uma realidade ainda mais profunda: por trás da extraordinária sinfonia da vida existe um Maestro divino, cuja sabedoria e poder se manifestam em cada célula, em cada organismo e em cada ser humano que habita este planeta.

sábado, 12 de setembro de 2026

O prazer proveniente da lei do Senhor

 


À primeira vista, pode parecer que a ausência de limites representa uma forma maior de liberdade e, consequentemente, um prazer mais pleno. A ideia de poder fazer tudo aquilo que se deseja, sem restrições ou parâmetros, pode transmitir uma sensação de autonomia. Entretanto, a experiência humana com o pecado demonstra que essa liberdade é apenas aparente. Quando o ser humano se coloca fora dos limites estabelecidos por Deus, aquilo que inicialmente parece liberdade pode conduzir ao vício, à dependência e, finalmente, à escravidão.

Por isso, a verdadeira liberdade não está na ausência de limites, mas em viver dentro dos princípios que promovem a vida, a estabilidade e a segurança. A Lei de Deus não deve ser compreendida apenas como um conjunto de proibições, mas como uma expressão do caráter e do cuidado de Deus para com Seus filhos. Seus princípios estabelecem parâmetros que protegem o ser humano das consequências destrutivas do pecado e conduzem a uma vida mais equilibrada e significativa.

É nesse sentido que o Salmo 1:2-3 apresenta uma perspectiva diferente sobre a Lei: “Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a correntes de águas”. O salmista não apresenta a Lei como um peso que limita a felicidade, mas como uma fonte de prazer e de vida. O prazer surge quando o ser humano compreende que os princípios de Deus não existem para privá-lo da felicidade, mas para conduzi-lo àquilo que verdadeiramente produz vida.

A própria história da humanidade tem evidenciado a importância desses limites. A experiência do pecado mostra repetidamente que aquilo que parece liberdade pode transformar-se em dependência, e aquilo que parece prazer pode terminar em sofrimento. Dessa maneira, a Lei revela sua importância como fator de estabilidade, segurança e, paradoxalmente, de verdadeiro prazer. Os limites estabelecidos por Deus não diminuem a liberdade; eles protegem a liberdade para que ela não se transforme em escravidão.

Por isso, a promessa bíblica de que o Senhor escreverá Sua Lei no coração de Seus filhos representa algo muito mais profundo do que simplesmente obedecer a regras externas. Trata-se do resultado de um relacionamento contínuo com Deus, no qual o conhecimento de Seu caráter transforma gradativamente os desejos, pensamentos e escolhas. À medida que o ser humano conhece a Deus e cresce em santificação, aquilo que antes poderia ser percebido como restrição passa a ser compreendido como expressão de amor e proteção.

Assim, o verdadeiro prazer não está em viver sem parâmetros, mas em descobrir que os parâmetros de Deus conduzem à verdadeira vida. A santificação é justamente esse processo gradativo no qual a vontade humana vai sendo alinhada à vontade divina, até que a Lei deixe de ser percebida apenas como algo externo que limita e passe a fazer parte do próprio coração. Nesse sentido, a obediência deixa de ser simplesmente uma obrigação e torna-se uma resposta de amor, confiança e prazer naquele que estabeleceu a Lei para o bem de Seus filhos.

" Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.  E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados.".   Jeremias 31:33,34 .


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A expressão do número 7 na Bíblia e a volta de Jesus

 


Uma das características mais fascinantes da Bíblia é a maneira como Deus utiliza números e períodos proféticos para transmitir verdades espirituais. Entre todos os números bíblicos, nenhum aparece com tanta frequência e significado quanto o número sete. Ele está associado à perfeição, à plenitude, à conclusão de uma obra e ao cumprimento dos propósitos divinos.

O primeiro encontro do ser humano com esse número ocorre na semana da criação. Em seis dias Deus criou os céus e a terra, e no sétimo dia descansou, abençoando e santificando o sábado (Gênesis 2:1-3). Desde então, o número sete tornou-se um símbolo da obra completa de Deus.

Ao longo das Escrituras, essa mesma estrutura reaparece repetidas vezes. Encontramos sete igrejas, sete selos, sete trombetas, sete últimas pragas e muitos outros conjuntos de sete no livro do Apocalipse. No Antigo Testamento, o ciclo sabático determinava que a cada sete anos a terra descansasse. Após sete ciclos de sete anos, chegava o Jubileu, um tempo de libertação, restauração e retorno às possessões originais (Levítico 25).

A importância do número sete é tão grande que o próprio Jesus o utilizou ao ensinar sobre o perdão. Quando Pedro perguntou quantas vezes deveria perdoar seu irmão, sugerindo sete vezes, Cristo respondeu:

"Não te digo que até sete, mas até setenta vezes sete" (Mateus 18:22).

A expressão não pretendia estabelecer um limite matemático para o perdão, mas transmitir a ideia de plenitude, completude e abundância da graça divina.

Entretanto, alguns estudiosos e intérpretes da profecia bíblica observam uma curiosa possibilidade relacionada aos jubileus. Considerando a entrada de Israel em Canaã por volta de 1406 a.C. e tomando esse marco como referência para o primeiro ciclo jubilar, estaríamos vivendo atualmente próximo do 70º Jubileu da história bíblica.

Naturalmente, a Bíblia não afirma que o retorno de Cristo ocorrerá em determinado Jubileu, nem autoriza qualquer tentativa de marcar datas para Sua volta. O próprio Jesus declarou:

"Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente Meu Pai" (Mateus 24:36).

Todavia, o fato de não sabermos o dia e a hora não significa que devemos ignorar os sinais dos tempos. Pelo contrário, Cristo ordenou que Seus seguidores vigiassem e observassem os acontecimentos que precederiam Seu retorno.

Outro aspecto interessante é a antiga ideia da "semana milenial", defendida por diversos escritores cristãos dos primeiros séculos. Segundo essa compreensão, os seis dias da criação representariam aproximadamente seis mil anos da história humana sob o pecado, seguidos pelo sétimo milênio, simbolizado pelo sábado, correspondente ao reino de paz de Cristo.

Entre os adventistas pioneiros, essa possibilidade também foi mencionada. Ellen G. White escreveu:

"Por seis mil anos o grande conflito esteve em andamento; o Filho de Deus e Seus mensageiros celestiais têm estado em conflito com o poder do maligno." (O Grande Conflito, p. 518)

Em outra ocasião declarou:

"Durante seis mil anos Satanás tem lutado para manter posse da Terra." (O Desejado de Todas as Nações, p. 413)

Essas declarações não estabelecem datas para a volta de Cristo, mas demonstram que os pioneiros adventistas consideravam significativa a aproximação dos seis mil anos da história humana.

Além dessas considerações, vivemos em uma época marcada por um impressionante adensamento dos sinais proféticos anunciados por Jesus: guerras e rumores de guerras, crises econômicas globais, fome em diversas regiões, pestes, desastres naturais, instabilidade política, crescente secularização e profundas tensões religiosas. Ao mesmo tempo, a tecnologia torna possível que o evangelho alcance praticamente todas as nações e povos do planeta, algo inimaginável para gerações passadas.

Seria o fato de estarmos vivendo próximo do 70º Jubileu apenas uma coincidência histórica? Seria mera curiosidade matemática a convergência entre a simbologia do número sete, a proximidade dos seis mil anos da história humana e a intensificação dos sinais proféticos?

A Bíblia não nos permite afirmar mais do que ela mesma afirma. Devemos evitar especulações e rejeitar qualquer tentativa de marcar datas para a volta de Jesus. Contudo, também não devemos ignorar as evidências que se acumulam diante de nossos olhos.

Talvez o propósito dessas convergências não seja revelar quando Cristo voltará, mas despertar em Seu povo um senso renovado de vigilância e preparo espiritual. Afinal, o mais importante não é saber exatamente quando Ele virá, mas estar pronto quando vier.

Nunca houve uma geração que presenciasse simultaneamente tantos sinais apontando para o desfecho da história humana. Se estamos ou não às portas do último grande evento da história, uma coisa é certa: cada dia que passa nos aproxima do glorioso cumprimento da promessa:

"Eis que venho sem demora." (Apocalipse 22:12)

Que a observação dos sinais dos tempos não produza medo, mas esperança. E que a possibilidade de estarmos vivendo nos momentos finais da história nos conduza a uma experiência mais profunda com Cristo, aguardando com alegria o dia em que veremos cumprir-se a maior promessa das Escrituras: o retorno do Senhor Jesus Cristo em poder e grande glória.




quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Sobre a Personalidade de um Cristão bem formado


 

O evangelho de Jesus Cristo não transforma apenas crenças; ele transforma pessoas. A obra de Deus no coração humano reflete-se na maneira de pensar, sentir, falar e agir. Por isso, a personalidade do cristão deve expressar os valores do Reino de Deus, revelando equilíbrio, bondade, sensibilidade, gentileza, humildade e amor ao próximo.

A Bíblia apresenta Jesus como o modelo perfeito de caráter e personalidade. Ele era firme sem ser agressivo, compassivo sem ser fraco, santo sem ser arrogante e justo sem ser insensível. O apóstolo Pedro escreveu: “Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos” (1 Pedro 2:21).

Uma das características fundamentais da personalidade cristã é o equilíbrio. Em um mundo marcado por extremos, o discípulo de Cristo é chamado a viver com prudência e moderação. O sábio Salomão escreveu: “O coração do justo medita o que há de responder” (Provérbios 15:28). Antes de agir ou falar, o cristão pondera, reflete e busca a orientação de Deus.

Outro traço essencial é uma visão positiva da vida. Isso não significa ignorar os problemas ou viver em um otimismo ingênuo, mas confiar que Deus está conduzindo todas as coisas para um propósito maior. O apóstolo Paulo declarou: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:28). Mesmo diante das dificuldades, o cristão cultiva esperança, gratidão e confiança.

A bondade também deve marcar profundamente sua personalidade. Jesus ensinou que seus seguidores devem amar não apenas os amigos, mas até os inimigos (Mateus 5:44). O verdadeiro cristão deseja o bem das pessoas, alegra-se com suas vitórias e sofre com suas dores. Sua presença deve ser uma bênção para a família, a igreja, os colegas de trabalho e a comunidade.

O apóstolo Paulo resume esse ideal ao afirmar:

“Sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Efésios 4:32).

A sensibilidade e a empatia também são virtudes indispensáveis. Cristo chorou diante da dor de Marta e Maria pela morte de Lázaro (João 11:35), demonstrando que a verdadeira espiritualidade não endurece o coração, mas o torna mais humano. O cristão aprende a ouvir, compreender e apoiar aqueles que sofrem.

A educação e a gentileza são igualmente importantes. Muitas vezes, o testemunho mais poderoso não está em grandes discursos, mas em atitudes simples de respeito e cortesia. Paulo aconselha:

“A vossa amabilidade seja conhecida de todos os homens” (Filipenses 4:5).

Infelizmente, algumas pessoas imaginam que firmeza doutrinária justifica grosseria ou intolerância. Jesus, porém, “não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega” (Mateus 12:20). A verdade deve sempre ser comunicada com amor.

A humildade ocupa lugar central no perfil cristão. O orgulho foi a raiz da queda de Satanás, enquanto a humildade caracterizou a vida de Cristo. Paulo escreveu:

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3).

C. S. Lewis observou que “a humildade não é pensar menos de si mesmo, mas pensar menos em si mesmo”. O cristão não vive obcecado por sua própria importância; ele procura servir.

Outra característica indispensável é o domínio próprio. O fruto do Espírito inclui “mansidão e domínio próprio” (Gálatas 5:22-23). O cristão não é governado por impulsos, explosões emocionais ou ressentimentos. Pela graça de Deus, aprende a controlar palavras, sentimentos e atitudes.

Ellen G. White escreveu:

“A mais poderosa evidência do poder do cristianismo não é uma teoria bem elaborada, mas um caráter nobre e equilibrado.”

Da mesma forma, John Stott afirmou:

“O maior argumento em favor do cristianismo é a vida transformada de um cristão; o maior argumento contra ele é um cristão inconsistente.”

Essas observações destacam uma verdade fundamental: as pessoas geralmente julgam o evangelho pela vida daqueles que o professam.

O fruto do Espírito apresentado em Gálatas 5:22-23 descreve, em essência, a personalidade que Deus deseja desenvolver em Seus filhos: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Essas qualidades não são resultado apenas de esforço humano, mas da atuação do Espírito Santo no coração.

Conclusão

A personalidade e o caráter do cristão constituem a principal expressão do evangelho diante do mundo. Antes de ouvirem nossos sermões, as pessoas observam nossas atitudes; antes de lerem a Bíblia, muitas vezes leem nossa vida. Um cristão equilibrado, bondoso, sensível, educado, gentil, humilde e cheio de amor torna visível o caráter de Cristo.

Em uma sociedade marcada pela agressividade, pelo individualismo e pela polarização, o cristão é chamado a refletir a beleza moral de Jesus. O evangelho não se manifesta apenas em palavras, doutrinas ou programas religiosos, mas principalmente em vidas transformadas. O caráter semelhante ao de Cristo é o sermão mais eloquente que pode ser pregado e a evidência mais convincente de que o evangelho possui poder para mudar o ser humano.