Quando questionado sobre qual seria o maior mandamento da Lei, Jesus respondeu de forma clara e definitiva:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:37–39).
Nessas poucas palavras, Cristo revelou o equilíbrio perfeito da Lei de Deus. Não se trata de dois princípios independentes, mas de uma unidade inseparável. O amor a Deus e o amor ao próximo são as duas faces da verdadeira religião bíblica.
Esse equilíbrio é claramente expresso nos Dez Mandamentos. Os quatro primeiros tratam diretamente dos deveres do ser humano para com Deus: quem Ele é, como deve ser adorado, o respeito ao Seu nome e o reconhecimento do sábado como memorial da criação (Êxodo 20:1–11). Já os seis últimos regulam os relacionamentos humanos — respeito à vida, à família, à propriedade, à verdade e à dignidade do outro (Êxodo 20:12–17). A ordem não é casual: o relacionamento correto com o próximo nasce, necessariamente, de um relacionamento correto com Deus.
Um dos grandes equívocos do nosso tempo é considerar suficiente apenas o aspecto horizontal da Lei — isto é, ser ético, respeitoso, solidário e cumpridor dos deveres sociais. Sem dúvida, esses valores são bons, necessários e desejáveis. A Bíblia os afirma claramente:
“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam” (Mateus 7:12).
No entanto, quando esse fundamento humano é isolado de sua base espiritual, ele se torna incompleto. A verdadeira religiosidade não se sustenta apenas na empatia ou na sensibilidade social, por mais nobres que sejam. A Escritura declara que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Provérbios 9:10), e que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6).
O próprio apóstolo João é enfático ao afirmar que não existe amor genuíno ao próximo sem amor a Deus:
“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso” (1 João 4:20).
Mas ele também deixa claro o inverso: o amor ao próximo é fruto da relação com Deus, não um substituto dela (1 João 4:19).
Ellen G. White expressa esse princípio de forma equilibrada ao afirmar:
“A lei de Deus é o fundamento de todo o governo moral. Ela apresenta dois grandes princípios: amor a Deus e amor ao homem” (Caminho a Cristo, p. 60).
Em outra declaração, ela adverte contra a tentativa de separar esses aspectos:
“A obediência à lei de Deus exige amor a Deus e amor ao próximo. Uma religião que negligencia um desses pontos não pode ser aceita por Ele” (O Maior Discurso de Cristo, p. 49).
Portanto, considerar apenas a dimensão social da fé — ainda que correta e necessária — resulta em uma espiritualidade incompleta. A Palavra de Deus nos chama a reconhecer o Senhor como o único Ser digno de adoração (Êxodo 20:3; Apocalipse 14:7), colocando-O no centro da vida, das decisões e dos valores. É dessa devoção, desse respeito reverente e desse temor santo que nasce o amor verdadeiro ao próximo.
Em síntese, a Lei de Deus não oprime nem divide; ela harmoniza. O amor a Deus orienta o coração, e o amor ao próximo revela esse amor em ações concretas. Separar um do outro é esvaziar o propósito divino. Mas quando ambos caminham juntos, refletem o caráter do próprio Cristo — Aquele que amou perfeitamente ao Pai e se entregou plenamente pelos seres humanos (João 13:34; Filipenses 2:5–8).

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