“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.”
— Apocalipse 3:11
A advertência de Cristo à igreja é clara e urgente: “Guarda o que tens”. Isso significa zelo, vigilância e constância espiritual. O perigo não está apenas fora de nós — nas tentações, nas pressões do mundo ou nas falsas doutrinas — mas também dentro de nós, na forma como tratamos aquilo que Deus já nos revelou. Muitos não perdem a salvação por ignorância, mas por negligência.
A seguir, alguns fatores que podem “roubar a coroa” prometida aos fiéis:
1. Falta de atenção ao que importa
Vivemos cercados de informação espiritual. Sermões, estudos bíblicos e mensagens estão por toda parte. No entanto, o problema não é saber pouco, mas não dar atenção ao essencial. A distração é um inimigo silencioso da fé. Como Marta, muitos estão ocupados com muito servir, mas esquecem de se assentar aos pés de Jesus (Lucas 10:41–42). A salvação se perde quando o coração se dispersa do foco principal: o relacionamento com Cristo.
2. Sempre adiar (procrastinação)
Há quem saiba o que precisa mudar, mas adia o arrependimento. Como Félix diante de Paulo, diz: “Por agora, vai-te; em tendo oportunidade te chamarei” (Atos 24:25). A procrastinação espiritual é uma armadilha do inimigo, que transforma “amanhã” em “nunca”. Cada adiamento é um passo mais longe da graça ativa de Deus.
3. Saber, mas justificar (dissonância)
Outro perigo é racionalizar o erro. A mente tenta equilibrar o pecado com justificativas: “todos fazem”, “Deus entende”, “não é tão grave”. Esse autoengano endurece o coração e apaga a sensibilidade à voz do Espírito Santo. Em vez de confessar e abandonar, preferimos explicar e manter. A dissonância entre o que cremos e o que fazemos rouba a paz e corrói a fé.
4. Considerar-se cansado para cuidar (fadiga moral)
Muitos se esgotam na luta contra o pecado e acabam rendendo-se à fadiga espiritual. Cansam-se de vigiar, de orar, de lutar contra as mesmas fraquezas. O desânimo os faz deixar o terreno livre para o inimigo. É preciso lembrar que “os que esperam no Senhor renovarão as suas forças” (Isaías 40:31). O cuidado da salvação exige perseverança e descanso em Cristo, não desistência.
5. Acostumar-se com o risco (normalização)
Quando o perigo se torna rotina, a consciência se acomoda. O pecado repetido passa a parecer inofensivo. Pequenas concessões se tornam hábitos, e o coração já não sente o frio espiritual que o cerca. Assim como o comandante do Titanic recebeu sete avisos sobre icebergs e mesmo assim manteve o curso, muitos recebem advertências do Espírito e as ignoram. O resultado é trágico: a colisão com o iceberg da própria negligência.
Conclusão
Às vezes, o que ameaça nossa salvação não é o grande naufrágio do pecado público, mas pequenas rachaduras não tratadas no casco do coração. São pecados e falhas de caráter que preferimos não levar ao Médico dos médicos, Jesus Cristo. Ele é o único que pode curar, restaurar e fortalecer nossa fé.
O chamado de Apocalipse 3:11 é um lembrete amoroso e firme: “Guarda o que tens.” Vigia, cuida, examina-te. Não permita que o descuido, a justificativa, o cansaço ou a acomodação roubem o tesouro da salvação que Cristo te deu ao preço do seu sangue.
“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 3:22)











