Vivemos em uma época curiosa. Nunca houve tantas opções de entretenimento, consumo, experiências e possibilidades. A tecnologia promete facilitar tudo; o mercado promete satisfazer todos os desejos; a cultura insiste que a felicidade está ao alcance de um clique. A mentalidade pós-moderna não apenas relativizou a verdade, ela transformou o prazer em critério supremo de sentido. O que é bom é o que me faz sentir bem. O que é verdadeiro é o que funciona para mim.
Nesse cenário, pregar Jesus Cristo parece, à primeira vista, quase um contrassenso. Como falar de renúncia a quem aprendeu que a vida é para ser desfrutada ao máximo? Como anunciar conversão a quem entende liberdade como ausência de limites? Como falar de preparo para a volta de Cristo quando o presente oferece tantas “delícias” sedutoras?
O desafio não está apenas na rejeição intelectual da verdade, mas na sedução do conforto. A pós-modernidade não combate a fé com fogueiras; ela a dilui com distrações. Não é necessário perseguir o cristão se ele estiver suficientemente ocupado, entretido, satisfeito. O perigo não é somente a incredulidade aberta, mas a conformidade silenciosa. E é aqui que as palavras do apóstolo ecoam com força: “não vos conformeis com este mundo” (Romanos 12:2).
O mundo atual oferece uma espiritualidade sem cruz, uma fé sem arrependimento, uma religião que não confronta hábitos nem exige transformação. Mas o evangelho não foi moldado para caber em uma cultura de conforto. Quando Jesus chamou discípulos, chamou-os para negar a si mesmos, tomar a cruz e segui-Lo. Ele nunca prometeu uma vida centrada no prazer; prometeu uma vida cheia de sentido; e isso é muito mais profundo.
A busca pelo prazer como fim em si mesmo produz uma geração ansiosa e insatisfeita. Quanto mais se consome, mais se deseja. Quanto mais se experimenta, menos se encontra contentamento duradouro. O coração humano, criado para o eterno, não se satisfaz plenamente com o imediato. A cultura pode oferecer estímulos, mas não oferece redenção; pode proporcionar experiências, mas não oferece salvação.
É nesse ponto que a mensagem do preparo para a volta de Cristo precisa ser anunciada não como ameaça, mas como convite à lucidez. A esperança da segunda vinda não é fuga da realidade; é a afirmação de que a história tem direção, que o mal não terá a última palavra, que a injustiça será julgada e que a dor não será permanente. Em uma geração que vive apenas para o agora, falar da eternidade é resgatar o verdadeiro horizonte da existência.
Contudo, pregar essa mensagem exige coerência. Não basta denunciar o hedonismo; é preciso viver uma alegria superior. Não basta falar de renúncia; é preciso demonstrar que há satisfação mais profunda em comunhão com Cristo do que nas ofertas do mundo. A conversão inteira não é mutilação da vida, é libertação do domínio de desejos que escravizam.
Talvez o maior desafio seja este: mostrar que seguir Jesus não é perder as “delícias” da vida, mas redescobrir o verdadeiro sabor dela. O prazer não é o inimigo; o problema é transformá-lo em deus. Quando o prazer ocupa o trono, ele exige cada vez mais e entrega cada vez menos. Quando Cristo ocupa o centro, até as coisas simples ganham significado eterno.
Pregar hoje é chamar pessoas que estão confortavelmente instaladas a despertarem. É lembrar que a vida não é apenas consumo, mas preparação. Que o tempo não é apenas oportunidade de experimentar, mas de decidir. Que a liberdade não é fazer tudo o que se quer, mas ser livre do que nos domina.
Em uma cultura que busca aproveitar tudo antes que acabe, o evangelho proclama que algo infinitamente melhor está por vir. E que vale a pena viver agora à luz dessa promessa. A volta de Jesus não é uma ideia antiquada; é a âncora que impede o cristão de se dissolver na conformidade deste século.
Talvez a pergunta não seja apenas como pregar a uma geração pós-moderna, mas como viver de maneira tão diferente que o contraste desperte perguntas. Quando o mundo perceber que existe uma alegria que não depende de consumo, uma paz que não depende de circunstâncias e uma esperança que não depende do presente, então a mensagem deixará de soar estranha e começará a parecer necessária.

Nenhum comentário:
Postar um comentário