domingo, 22 de fevereiro de 2026

Sobre o sentido da vida !

 


Em nosso tempo, tornou-se comum afirmar que o sentido da vida está em buscar o bem-estar, próprio e alheio, ou em estabelecer objetivos e persegui-los com determinação. O filósofo Albert Camus disse que a vida não tem sentido, cabe a cada indivíduo criar seu próprio propósito ou sentido. À primeira vista, essas definições parecem razoáveis. Quem não deseja viver bem ou conquistar metas significativas? Contudo, quando deslocamos a reflexão para um nível mais profundo, percebemos que tais respostas, embora úteis, não alcançam o núcleo ontológico da questão.

O bem-estar, por exemplo, é um estado variável. Depende de circunstâncias, de saúde, de estabilidade emocional e social. Se o sentido da vida estiver fundamentado apenas nisso, ele se tornará frágil e instável, pois a própria existência humana é atravessada por perdas, dores e frustrações. Uma vida pode ter sentido mesmo em meio ao sofrimento –  o que demonstra que o significado não pode depender exclusivamente da sensação de prazer ou satisfação.

Da mesma forma, a ideia de que o sentido da vida consiste em traçar objetivos e alcançá-los também revela limitações. Metas são importantes; organizam nossa energia e dão direção ao cotidiano. Entretanto, são sempre provisórias. Quando uma é alcançada, outra precisa ser criada. Vive-se, então, numa sucessão interminável de conquistas que nunca respondem à pergunta fundamental: por que existimos? Objetivos explicam o “como viver”, mas não o “por que existir”.

Essas concepções tornam-se superficiais quando observadas sob a perspectiva do ser. O ser humano não é apenas um organismo biológico que nasce, cresce, reproduz-se e morre. Há nele uma abertura para o infinito, uma inquietação que não se satisfaz com conquistas materiais ou estados emocionais passageiros. Essa abertura aponta para algo maior que o próprio indivíduo  para um fundamento transcendente.

É aqui que a visão de um projeto maior se apresenta não apenas como uma crença religiosa, mas como uma resposta ontológica coerente. Se o ser humano não é um acidente cósmico, mas parte de uma intenção originária, então seu sentido não é algo que ele inventa arbitrariamente, mas algo que descobre ao alinhar-se com essa intenção. O propósito da vida não estaria, portanto, centrado no eu, mas na participação em um plano que o ultrapassa.

Dentro dessa compreensão, o sentido da vida não se esgota na rotina diária nem no ciclo biológico. Ele se realiza na relação com o Autor da existência. A criatura encontra plenitude quando reconhece sua origem e seu destino em Deus. Isso não anula as metas pessoais nem o desejo de bem-estar, mas os coloca em seu devido lugar: como expressões secundárias de uma vocação maior.

A Bíblia expressa essa verdade de maneira simples e profunda. Em Isaías 43:7, Deus declara: “a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória, e que formei, e fiz”. Essa afirmação desloca completamente o eixo do sentido existencial. Não vivemos apenas para experimentar prazer ou cumprir objetivos autônomos, mas fomos criados para a glória de Deus  isto é, para refletir, participar e manifestar Seu propósito eterno.

Assim, acreditar que o sentido da vida está inserido em um projeto maior não é fuga da realidade, mas reconhecimento de sua estrutura mais profunda. É admitir que nossa existência possui origem, direção e destino. É compreender que a verdadeira realização não está na autorreferência, mas na comunhão com Aquele que nos chamou à existência. Dentro desse horizonte, a vida deixa de ser apenas uma sequência de eventos e torna-se vocação  um caminho que transcende o tempo e encontra seu significado pleno em Deus.

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