sábado, 21 de fevereiro de 2026

Onde está o seu tesouro?

 


“Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6:21). As palavras de Jesus são simples, mas profundamente reveladoras. Elas não tratam apenas de dinheiro, mas do centro da vida. O tesouro é aquilo que valorizamos acima de tudo, o lugar onde investimos nosso tempo, nossos afetos, nossos pensamentos e nossas energias. É aquilo que ocupa a mente ao acordar e que nos acompanha silenciosamente ao deitar.

Cada pessoa, consciente ou não, constrói o seu tesouro ao longo da vida. Para alguns, ele se traduz em segurança financeira. A parábola do rico insensato, em Lucas 12:16-21, mostra um homem que acumulou bens e disse à própria alma: “tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te”. Seu erro não foi trabalhar ou prosperar, mas fazer da abundância material o fundamento de sua segurança e o sentido de sua existência. Ele construiu celeiros maiores, mas negligenciou a eternidade.

Para outros, o tesouro se encontra no prazer, na realização pessoal, no orgulho das conquistas. O rei Nabucodonosor, no Livro de Daniel 4:30, contemplou a grandeza da Babilônia e declarou: “Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei... para glória da minha majestade?”. Seu tesouro estava na própria obra, no brilho de seu império, na exaltação do eu. Contudo, sua história nos lembra que toda glória humana é frágil quando não reconhece a soberania de Deus.

O grande perigo está em edificarmos nosso tesouro neste mundo transitório. Tiago descreve a vida como “neblina que aparece por um instante e logo se dissipa” (Tiago 4:14-15). Tudo aqui é passageiro: riquezas podem se perder, posições podem ser tiradas, prazeres se esvaem, aplausos cessam. Quando nosso tesouro está preso ao que é temporário, nosso coração vive vulnerável, ansioso e constantemente ameaçado pela possibilidade de perda.

Além disso, os tesouros deste mundo frequentemente se contrapõem ao Reino de Deus. Não porque as coisas materiais ou as conquistas sejam intrinsecamente más, mas porque, quando ocupam a primazia, roubam de Deus o primeiro lugar. O tesouro cativa nosso amor e nossa devoção; ele determina nossas prioridades e, muitas vezes, consome a maior parte do nosso tempo. Se o Reino é secundário, se a comunhão com Deus é deixada para quando sobra tempo, isso revela onde está o verdadeiro centro da vida.

Perguntar “onde está o meu tesouro?” é, na verdade, perguntar: quais são os meus referenciais? O que dá sentido à minha jornada? O que define minhas escolhas? O que mais temo perder? O que mais desejo conquistar? Jesus nos convida a uma autoanálise honesta, pois o coração sempre seguirá o tesouro.

O Reino de Deus nos chama a um tesouro diferente: não baseado no acúmulo, na autoexaltação ou na busca incessante por satisfação pessoal, mas nos valores eternos: justiça, amor, fidelidade, serviço e comunhão com o próprio Deus. Quando nosso tesouro está em Cristo, as demais coisas encontram seu devido lugar. O trabalho deixa de ser idolatria e se torna vocação; os bens deixam de ser segurança absoluta e passam a ser instrumentos; as conquistas deixam de alimentar o orgulho e passam a glorificar a Deus.

No fim, a questão não é se temos um tesouro, mas qual é ele. Porque inevitavelmente nosso coração estará onde colocamos aquilo que mais amamos. E somente o tesouro eterno pode sustentar o coração humano para além da neblina passageira desta vida.

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