domingo, 5 de outubro de 2025

Saúde psicológica - qual é a sua perspectiva de vida?

 


A vida humana é, em grande parte, moldada pela forma como cada pessoa organiza suas dinâmicas interiores — os modos pelos quais define seus alvos, constrói seu sentido de bem-estar e busca realização. Essas dinâmicas podem ser vistas como “forças de orientação” que conduzem o indivíduo em direção ao que considera ser a sua plenitude. Entretanto, nem todas conduzem à paz interior; algumas, ao contrário, aprisionam em ciclos de insatisfação e fuga.

Há pessoas cuja dinâmica é a da busca constante. Vivem em movimento, impulsionadas pela sensação de que algo ainda falta: um novo objetivo, uma nova conquista, uma nova experiência capaz de preencher o vazio que persiste. Essa busca, embora mova a vida, pode tornar-se uma armadilha quando o horizonte de plenitude é sempre deslocado para além do presente. O “ainda não” torna-se um tormento, e a felicidade, um ponto inatingível.

Outros vivem presos ao passado. Suas decisões, emoções e até esperanças são filtradas pelas lentes de experiências que já não existem — feridas, culpas, idealizações ou nostalgias. Essa fixação impede o florescimento do presente e o acolhimento do novo. É como tentar caminhar olhando apenas para trás: inevitavelmente, tropeça-se no que está adiante.

Há também os que projetam-se demasiadamente no futuro. Vivem de expectativas, de planos que nunca se concretizam, e sofrem por antecipação. A mente está sempre um passo à frente do tempo real, e o presente se esvai sem que a alma o habite.

Por fim, há os que optam pela fuga — evitam responsabilidades, compromissos e realidades que a vida naturalmente impõe. Criam bolhas de negação, muitas vezes travestidas de liberdade, mas que escondem medo, imaturidade ou exaustão emocional.

Diante de tais dinâmicas, a postura mais saudável parece ser aquela que reconhece o valor do presente como espaço de equilíbrio entre memória, esperança e responsabilidade. O passado não deve aprisionar, mas instruir; o futuro não deve gerar ansiedade, mas inspirar; e o presente precisa ser vivido com atenção e propósito. É nele que o ser humano pode experimentar plenitude real — não como algo a ser alcançado, mas como algo que se revela quando a mente e o coração estão em harmonia com o agora.

Nesse contexto, a fé em Deus ocupa um lugar singular. Ela não se confunde com a busca desenfreada, nem se prende a um passado idealizado ou a um futuro ilusório. A fé autêntica é enraizada no presente, pois é no “hoje” que o homem encontra a presença divina. Quando a fé se torna um eixo de vida, ela reorganiza as crenças e emoções: o passado é perdoado, o futuro é entregue, e o presente é vivido com confiança. Assim, a fé age como um lenitivo para a alma, não por prometer fuga da realidade, mas por conferir-lhe sentido. Jesus afirmou: “Não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã cuidará de si mesmo” (Mateus 6:34). A fé verdadeira reorganiza as crenças e emoções: o passado é perdoado, o futuro é entregue, e o presente é vivido com confiança.

A verdadeira plenitude, portanto, não está em conquistar tudo, mas em descansar na confiança de que tudo está nas mãos de Deus. A fé não elimina a busca, mas a orienta; não apaga o passado, mas o redime; não nega o futuro, mas o coloca sob a esperança. Quando a vida é organizada a partir dessa perspectiva, a dinâmica interior deixa de ser uma corrida e passa a ser uma jornada — serena, consciente e fecunda.


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Igreja Católica pode reconhecer um Playstation como relíquia

 


O interesse pelos objetos pessoais de Carlo Acutis vêm aumentando desde sua canonização no dia 7 de setembro.

Acutis é conhecido como o primeiro santo milenial, o que traz à tona uma questão inusitada.

Seu PlayStation, ou ao menos o controle usado por ele, poderia ser considerado uma relíquia oficial?

Para responder à questão é preciso entender o que é uma relíquia para a Igreja Católica e quais são as classificações que elas podem ter.

Quais são os tipos de relíquias existentes?

Na fé católica, qualquer um que morre em estado de comunhão e amizade com Deus pode ser considerado santo.

A Igreja reconhece oficialmente que uma pessoa está no céu após investigar ao menos dois milagres atribuídos à intercessão dessas pessoas.

Relíquias são restos mortais de um santo ou objetos que pertenceram a ele. Para a Igreja, venerar relíquias ajuda os fiéis a aproximar-se de Deus pelo exemplo e intercessão.

Elas podem ser classificadas em três categorias diferentes:

  • primeira classe: partes do corpo do santo, como ossos, cabelo e sangue;
  • segunda classe: objetos de uso pessoal do santo ou que tiveram contato com seu corpo, como vestimentas, terços, utensílios e livros;
  • terceira classe: objetos dos fiéis que tocaram o túmulo do santo ou relíquias nas outras classes.

Afinal, o videogame de Acutis pode ser considerado uma relíquia?

É nesse contexto que muitos estão questionando se o playstation de São Carlo Acutis poderia ser considerado uma relíquia de segundo grau.

Ele ganhou um PlayStation aos 8 anos, embora limitasse o uso a apenas uma hora por semana. Tanto o console, quanto os controles seguem em posse da família Acutis.

Até o momento não se sabe se a Santa Sé considera a possibilidade, caso o videogame seja aceito será a primeira relíquia do tipo na história.

Fonte: BrasilParalelo

Nota. A questão da instituição de santos intercessores estabelecidos pela igreja de Roma contradiz frontalmente o ministério intercessório do Senhor Jesus Cristo, como foi  bem comentado na postagem anterior. Milagres, sinais ou prodígios que supostamente dão respaldo à atitude tomada por parte do clero são na realidade enganos malignos usados para confundir e desviar as pessoas da verdade. Um estratagema que vem ocorrendo no decorrer da história e tem se intensificado no tempo do fim.

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Jesus ascendeu ao céu para ser nosso sumo sacerdote

 


Quando Jesus ressuscitou e ascendeu ao céu, Sua missão não terminou. Pelo contrário, iniciou-se uma fase essencial da obra da salvação: o ministério sacerdotal de Cristo no Santuário Celestial. A Bíblia afirma claramente que Ele não voltou ao céu para descansar, mas para cumprir uma função especial em favor da humanidade, intercedendo por aqueles que confiam em Seu sacrifício.

O apóstolo Pedro declarou:

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19).

Aqui vemos que o perdão e o apagamento dos pecados não são apenas um ato momentâneo no Calvário, mas um processo contínuo ligado ao ministério de Cristo no céu. Se há o “apagamento” dos pecados, é porque existe uma obra mediadora em curso, na qual Jesus, como sumo sacerdote, aplica os méritos de Seu sangue aos que se arrependem.

O livro de Hebreus aprofunda esse tema:

  • “Temos um grande sumo sacerdote que penetrou nos céus, Jesus, o Filho de Deus” (Hebreus 4:14).

  • “Cristo entrou... no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus” (Hebreus 9:24).

  • “Ele vive sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25).

Esses textos mostram que o Santuário Celestial é o ambiente real onde Jesus ministra atualmente. O tabernáculo terrestre, construído nos dias de Moisés, era apenas uma figura do verdadeiro. Agora, no céu, Cristo executa a obra final da redenção, apresentando diante do Pai Seu sacrifício perfeito e assegurando perdão, vitória e esperança para Seu povo.

Entretanto, o inimigo de Deus sempre tentou obscurecer esta verdade. Ao longo da história, especialmente a partir da formação do sistema religioso centralizado em Roma, surgiram inúmeros falsos intercessores: santos mortos invocados, Maria colocada como “mediadora” e sacerdotes humanos apresentados como canais necessários para chegar a Deus. Tudo isso desviou os olhos de milhões de pessoas do verdadeiro ministério de Cristo.

A Escritura, porém, é clara:

“Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Timóteo 2:5).

Esse ensino evidencia a estratégia do maligno: substituir o sacerdócio celestial de Cristo por imitações humanas que escravizam a fé. Assim, a mensagem do Santuário Celestial torna-se fundamental para restaurar a confiança no único Intercessor verdadeiro.

Portanto, compreender que Jesus ascendeu ao céu como nosso sumo sacerdote é reconhecer que hoje Ele está ativo, trabalhando em favor de Seus filhos. Ele não está em repouso, mas em plena obra de amor, intercedendo, perdoando e preparando-nos para a vida eterna. Ao fixarmos nossos olhos no Santuário Celestial, lembramos que nossa salvação está segura em Cristo, e que nenhuma tradição humana pode substituir o poder de Sua mediação.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

O 2º mandamento (não imagens/idolatria) e o 4º (sábado) no NT

 Embora a proibição da idolatria e do culto a imagens esteja mais explicitamente enunciada no Antigo Testamento (por exemplo, Êxodo 20:4, 5; Deuteronômio 5:8, 9; Isaías 42:8), o Novo Testamento também reafirma de maneira clara esse princípio, mesmo que com outra linguagem.

Vejamos alguns textos:

  • 1 João 5:21 – “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.”
    Aqui João encerra sua carta com uma advertência direta e abrangente contra qualquer forma de idolatria, incluindo imagens.
  • Atos 17:29 – Paulo, no Areópago de Atenas, afirma: “…não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem.”
    Ou seja, Paulo nega explicitamente que Deus possa ser representado por imagens materiais.
  • Romanos 1:22, 23, 25 – Paulo descreve a degeneração da humanidade: “…mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis… e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador.”
    Aqui vemos o princípio central: transformar coisas criadas em objeto de culto é uma perversão da adoração verdadeira.
  • 1 Coríntios 10:14 – “Portanto, meus amados, fugi da idolatria.”
    Paulo alerta que qualquer prática de idolatria, incluindo a adoração de imagens, é incompatível com a fé cristã.
  • Apocalipse 9:20 – “Os outros homens, que não foram mortos por essas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar.”
    Este texto mostra claramente que o culto a imagens é denunciado como idolatria e rejeitado no juízo de Deus.

Conclusão:
Embora o Novo Testamento não repita literalmente a fórmula do segundo mandamento (“não farás para ti imagem de escultura…”), ele reafirma com toda clareza que a adoração de imagens ou ídolos é proibida e contrária à adoração ao Deus vivo.

No caso do sábado, o Novo Testamento também não o repete em forma de mandamento (“lembra-te do dia de sábado para o santificar”), mas mostra pela prática e por alusões que ele continuava a ser observado pelos cristãos:

  • Jesus guardava o sábado (Lc 4:16) e afirmou que o sábado foi feito “por causa do homem” (Mc 2:27), ou seja, como bênção universal, não apenas para os judeus.
  • As mulheres que prepararam o corpo de Jesus “no sábado repousaram, segundo o mandamento” (Lc 23:56). Note que Lucas, escrevendo décadas depois da cruz, ainda chama o sábado de “mandamento”.
  • Paulo tinha o costume de ir à sinagoga aos sábados para pregar (At 17:2; 18:4), e em Atos 16:13 procurou um local de oração no sábado.
  • O sábado aparece em conexão com a criação e com a redenção (Hb 4:4-9), sendo chamado de “um descanso sabático para o povo de Deus” (sabbatismos, em grego).

Assim:

  • A idolatria é explicitamente proibida no NT com repetição clara das ordens.
  • O sábado não aparece em forma de proibição ou novo mandamento, mas é confirmado pela prática de Jesus, dos discípulos e da igreja apostólica, além de ser teologicamente fundamentado na criação e na redenção.

Imagens e sábado no NT: quadro comparativo

TemaTratamento no ATTratamento no NTExemplos de textoForma de reafirmação
Imagens / IdolatriaProibição direta nos Dez Mandamentos: “Não farás para ti imagem de escultura…” (Êx 20:4-5; Dt 5:8-9).Reafirmação explícita e repetida da proibição de adorar ídolos ou imagens.At 17:29 – “Não devemos pensar que a Divindade é semelhante a ouro, prata ou pedra, trabalhados por arte e imaginação do homem.”
1Co 10:14 – “Fugi da idolatria.”
1Jo 5:21 – “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.”
Ap 9:20 – condena quem adora ídolos.
Repetição clara: o NT proíbe a idolatria de modo direto, confirmando e ampliando o mandamento.
SábadoMandamento do Decálogo: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êx 20:8-11; Dt 5:12-15). Fundado na criação e na redenção.Não aparece em forma de ordem repetida, mas é confirmado por exemplos, alusões e fundamentos teológicos.Lc 4:16 – Jesus tinha o costume de guardar o sábado.
Mc 2:27, 28 – “O sábado foi feito por causa do homem… o Filho do Homem é Senhor do sábado.”
Lc 23:56 – mulheres repousaram no sábado “segundo o mandamento”.
At 17:2; 18:4 – Paulo pregava no sábado.
Hb 4:9 – “Resta um repouso sabático (sabbatismos) para o povo de Deus.”
Reafirmação por prática e teologia: Jesus, discípulos e igreja primitiva guardavam o sábado; fundamentação na criação e no descanso escatológico.

A IDENTIDADE DO POVO REMANECENTE Pr Alberto Tim


 

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Estudo alerta que qualquer quantidade de álcool aumenta risco de demência

 

O estudo concluiu que quanto mais álcool se consome, maior é o risco de demência.

O consumo de álcool aumenta o risco de demência, independentemente de as pessoas terem predisposição genética para a condição neurodegenerativa, sugere um novo estudo de grande escala.

Esta é a mais recente investigação a confirmar que até um consumo moderado de álcool pode representar riscos para a saúde.

Apesar de algumas notícias indicarem alegados benefícios de se beber em pequenas quantidades, a pesquisa tem demonstrado repetidamente que nenhuma quantidade de álcool é segura para a saúde.

“Para qualquer pessoa que escolha beber, o nosso estudo sugere que um maior consumo de álcool leva a um maior risco de demência”, afirmou, em comunicado, Stephen Burgess, investigador na Universidade de Cambridge.

O estudo, publicado na revista BMJ Evidence-Based Medicine, incluiu cerca de 560 mil pessoas no Reino Unido e nos Estados Unidos, acompanhadas ao longo de vários anos, bem como dados genéticos de cerca de 2,4 milhões de pessoas.

Na primeira parte do estudo, os investigadores perguntaram às pessoas quanto bebiam e depois determinaram a relação entre álcool e os riscos de demência. Analisaram também marcadores genéticos ligados ao consumo de álcool para considerar o seu efeito cumulativo ao longo da vida.

Quanto maiores os riscos genéticos associados ao álcool, maiores os riscos de demência, concluiu o estudo.

Se alguém beber três bebidas por semana, por exemplo, terá uma probabilidade 15% maior de desenvolver demência do que alguém que beba uma bebida por semana.

“A evidência genética não oferece suporte para um efeito protetor [do álcool] – na verdade, sugere o contrário,” disse Anya Topiwala, uma das autoras do estudo e investigadora clínica sénior na Universidade de Oxford.

O estudo, porém, não prova conclusivamente que o consumo de álcool causa demência, "apenas que os dois estão interligados", alertou Tara Spires-Jones, diretora do Centro para Ciências do Cérebro na Universidade de Edimburgo, que não fez parte do estudo.

No entanto, “trabalhos fundamentais em neurociência mostraram que o álcool é diretamente tóxico para os neurónios no cérebro,” acrescentou em comunicado.

Numa investigação, onde foram utilizados exames cerebrais, os investigadores descobriram que a ingestão de uma ou duas unidades de álcool por dia estava associada a reduções no volume do cérebro e a alterações na sua estrutura, o que pode levar à perda de memória e à demência.

Os autores do estudo mais recente afirmaram que as suas conclusões somam-se ao crescente conjunto de evidências que mostram que eliminar o álcool pode trazer benefícios significativos para a saúde.

“Reduzir o consumo de álcool na população pode desempenhar um papel significativo na prevenção da demência,” conclui Anya Topiwala, uma das autoras.

Fonte: Euronews

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Mais do que Casca!

 


O cristianismo verdadeiro não se mede apenas por palavras, aparências ou dogmas aceitos intelectualmente, mas pela transformação real do coração que se reflete em atitudes práticas. Jesus declarou: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:16). Ou seja, a essência da fé não está na casca, mas no fruto produzido na vida diária.

A maturidade espiritual exige reflexão constante, sinceridade diante de Deus e humildade para reconhecer as próprias falhas. O apóstolo João escreveu: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1Jo 1:8). Reconhecer o erro e ter disposição para retificar atitudes é marca do verdadeiro discípulo de Cristo.

Infelizmente, muitas vezes se vê no meio religioso as pessoas professando seguir a Jesus, mas suas atitudes não contribuem para um ambiente de paz ou harmonia. Quando as faltas não são reconhecidas e os propósitos não são confrontados, pode-se viver uma dinâmica de autoengano distante da essência do cristianismo na vivência prática.

Hoje, não são poucos os que buscam a igreja sem a preocupação de mortificar o ego. O púlpito por vezes se transforma em palco de exibicionismo, e a comunidade passa a girar em torno de expectativas e vaidades pessoais. Relações tornam-se movidas por interesses recíprocos e não pela entrega despretensiosa do amor, que nada exige em troca. O apóstolo Paulo nos lembra: “O amor não busca os seus interesses” (1Co 13:5).

Tudo indica que a verdadeira conversão não se limita ao assentimento de verdades, dogmas ou doutrinas. Ela envolve uma confrontação diária entre o caráter do Mestre e nossas intenções, atitudes e escolhas. Ser cristão é viver como Cristo viveu — com mansidão, entrega e amor — permitindo que o Espírito Santo molde o coração para que a fé não seja apenas casca, mas vida autêntica e transformadora. E com isto outras pessoas não cristãs não precisem falar como Mahatma Gandhi: “Eu gosto do vosso Cristo, mas não gosto dos vossos cristãos; eles são tão diferentes do vosso Cristo.” 

24 de setembro de 787: quando se abriu a porta para a idolatria

 

No dia 24 de setembro de 787, há exatos 1.238 anos, aconteceu um dos eventos mais marcantes da história do cristianismo institucionalizado: o Segundo Concílio de Niceia, realizado na Igreja de Santa Sofia de Niceia, em Niceia (atual İznik, Turquia). Convocado pela imperatriz Irene, o concílio reuniu bispos para encerrar a primeira fase da chamada controvérsia iconoclasta no Império Bizantino.

Naquela época, havia grande debate sobre o uso e a veneração de imagens. Muitos cristãos, preocupados com a fidelidade à Bíblia, se opunham ao culto de ícones, lembrando a clara proibição do segundo mandamento: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra…” (Êxodo 20:4). Porém, o concílio decidiu restabelecer e legitimar a veneração das imagens, especialmente ícones de Cristo, da Virgem Maria e dos chamados “santos”.

Na prática, aquele ato abriu oficialmente a porta para a idolatria dentro da cristandade. O que era antes rejeitado por ser contrário à Palavra de Deus passou a ser promovido pela tradição eclesiástica. Com o tempo, o apego a imagens, relíquias e símbolos substituiu, em muitos corações, a simplicidade da fé em Cristo e a centralidade da Escritura.

Esse episódio nos lembra de que tradições humanas não podem se sobrepor à vontade de Deus. Sempre que a igreja se afasta da Bíblia para seguir convenções humanas, corre o risco de cair em enganos espirituais.

Hoje, como no passado, somos chamados a adorar o Senhor “em espírito e em verdade” (João 4:24), reconhecendo que só Ele é digno de culto. O desafio permanece: manter os olhos fixos em Jesus, e não em objetos feitos por mãos humanas.

O Segundo Concílio de Niceia (787) e suas repercussões

Tradição CristãVisão sobre o ConcílioPrática relacionada a imagens
CatólicosReconhecem o concílio como ecumênico e válido. Defendem a distinção entre adoração (latria – só a Deus) e veneração (dulia – dada aos santos e às imagens como símbolos).Uso abundante de imagens, estátuas e relíquias em igrejas. Imagens são vistas como “janelas para o transcendente”.
OrtodoxosTambém reconhecem o concílio como ecumênico. A teologia dos ícones é central na fé ortodoxa. O ícone é considerado uma manifestação visível da encarnação de Cristo.Ícones são essenciais no culto, sempre em estilo artístico próprio. São beijados, incensados e usados na oração. Celebram a Festa da Ortodoxia em memória da vitória sobre o iconoclasmo.
Protestantes (século 16 em diante)Rejeitam o concílio, considerando que ele abriu espaço para a idolatria. Reformadores como Lutero (mais moderado) e Calvino (mais radical) criticaram a veneração de imagens.Igrejas protestantes históricas retiraram imagens dos templos. A ênfase ficou na pregação da Palavra. Alguns ramos (como luteranos e anglicanos) mantêm cruzes ou vitrais, mas sem veneração. Igrejas reformadas e evangélicas geralmente rejeitam totalmente o uso de imagens.
Fonte: Outraleitura

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

O cristão deve emanar "boa energia"!

 


A vida do cristão é chamada para ser luz no mundo. Jesus declarou: “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte” (Mateus 5:14). A luz não apenas dissipa as trevas, mas também aquece e gera esperança. Assim também deve ser a presença do crente: onde chega, transmite vida, paz e alegria, e não peso, crítica ou desânimo.

O apóstolo Paulo nos exorta: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos” (Filipenses 4:4). A alegria do cristão não depende das circunstâncias, mas da certeza de que Cristo está presente. Quando essa alegria é cultivada, ela se torna contagiante, criando ao redor um ambiente de esperança.

O Espírito Santo é fonte dessa “boa energia”. O fruto do Espírito, conforme Gálatas 5:22-23, é “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. São características que não apenas moldam nosso caráter, mas também influenciam o clima ao nosso redor. Uma pessoa cheia do Espírito Santo naturalmente se torna portadora de boas palavras, de serenidade e de confiança em Deus, abençoando aqueles que a cercam.

Por outro lado, a Bíblia adverte contra o espírito murmurador e irascível. Os israelitas, mesmo libertos do Egito, muitas vezes “murmuraram em suas tendas” (Salmos 106:25), espalhando descontentamento e incredulidade. Esse espírito contaminava o povo, enfraquecendo a fé coletiva. Da mesma forma, hoje, quando cultivamos crítica destrutiva, mau humor e desconfiança, irradiamos trevas em vez de luz.

O chamado de Cristo, segundo  Paulo, envolve uma saudável positividade. “Seja a vossa palavra sempre agradável, temperada com sal” (Colossenses 4:6). Isso significa falar de forma que edifique, inspire e leve paz. Um cristão de “boa energia” não é alguém artificialmente alegre, mas alguém cuja confiança em Deus o torna um canal de graça.

Assim, cada crente deve se examinar: ao entrar em um ambiente, levo comigo a luz de Cristo ou as sombras da incredulidade? O apóstolo Paulo afirma: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou” (Efésios 5:1-2).

Portanto, ser uma pessoa de boa energia é viver tão cheio da presença de Cristo que nossa vida se torna um reflexo do Seu amor. Onde chegamos, podemos transformar a atmosfera, irradiando fé, esperança e alegria que vêm do Senhor.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

O perigo da radicalização e extremismo na política !

 




Nos últimos tempos há um crescimento preocupante da polarização política — não apenas em discursos e divisões ideológicas, mas também num aumento real de violência motivada politicamente. A radicalização de grupos ou indivíduos com crenças extremas, combinada com discursos inflamatórios e desinformação online, contribui para um ambiente onde atos violentos deixam de ser exceção para se tornarem parte mais visível da paisagem política.

Segundo o The Guardian, no primeiro semestre de 2025, foram registrados mais de 520 incidentes violentos e planos terroristas nos EUA — quase 40% a mais do que no mesmo período de 2024. 

Recentemente, Charlie Kirk, ativista conservador de grande visibilidade nos EUA, foi morto a tiros durante um evento público da Turning Point USA na Utah Valley University. Crônicas iniciais apontam que foi uma assassinato político, com indícios de motivação ideológica do suspeito, que aparentemente vinha se radicalizando em comunidades online. 

Esse episódio é particularmente significativo,  porque Kirk mesmo sendo uma figura polarizadora, usava  o diálogo e  a argumentação sempre ouvindo com atenção e respeito o seu interlocutor. Atacar (e matar) uma pessoa assim em público reforça o limiar de que discursos extremos podem gerar consequências fatais. 

Atos violentos geram reações — protestos, ameaças, mais violência. Grupos radicalizados em diferentes espectros ideológicos podem interpretar um assassinato como um alerta ou uma permissão para agir também. Isso pode virar uma espiral em que cada lado se sente justificado em retaliar ou se preparar para futuras agressões.

A radicalização política, quando alimentada por discursos que desumanizam o “outro”, por conspirações, por polarização intensa — ideológica, racial, cultural — acaba abrindo caminho para violência. O assassinato de Charlie Kirk não é um caso isolado, mas parte de um padrão crescente. Se não houver mecanismos eficazes de desescalada — tanto institucionais quanto sociais —, o risco é de que essa violência se torne mais frequente, mais imprevisível, com danos profundos à democracia.

O posicionamento do cristão diante desse cenário

Diante de tanta polarização e violência, a Bíblia oferece uma direção clara para os seguidores de Cristo. Quando esteve neste mundo, Jesus não entrou em disputas políticas, nem promoveu revoluções por meio da violência — mesmo em meio à opressão do Império Romano. Pelo contrário, Ele ensinou:

“Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5:44).

O exemplo de Cristo mostra que o cristão é chamado a ser pacificador (Mateus 5:9), a falar com mansidão e sabedoria (Tiago 3:17), e a buscar a transformação social pelo amor e pelo serviço, não pela violência. O apóstolo Paulo reforça esse princípio:

“Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12:21).

Em um tempo em que a retórica inflamada domina as redes sociais e o ódio parece normalizado, o cristão é convidado a:

  • Promover o diálogo com empatia;

  • Rejeitar discursos de ódio e incitação;

  • Ser exemplo de justiça, verdade e misericórdia;

  • Orar pelos líderes e autoridades, conforme 1 Timóteo 2:1-2.

O testemunho cristão não consiste em alinhar-se a um partido ou ideologia, mas em viver e proclamar os valores do Reino de Deus — um reino que não se estabelece pela espada, mas pelo amor, pela verdade e pelo sacrifício. Essa postura pode parecer frágil diante do clima de ódio, mas é justamente ela que tem poder de desarmar corações e oferecer esperança.