No
Brasil há um exemplo claro da dinâmica sincretista religiosa que envolveria o mundo no tempo do fim. No contexto brasileiro o sincretismo mais evidente está entre religiões de
matriz africana e o catolicismo popular. A figura de Iemanjá na
Umbanda e no Candomblé foi historicamente associada a Nossa Senhora dos
Navegantes no catolicismo. Embora culturalmente compreensível dentro do
contexto de resistência dos povos africanos escravizados, teologicamente essa
fusão representa exatamente o tipo de mistura que o Apocalipse critica: duas
concepções distintas de divindade e mediação espiritual são tratadas como
equivalentes.
Para as Escrituras, essa amalgamação é
espúria porque confunde a adoração ao Deus revelado na Bíblia com práticas
espirituais baseadas em cosmovisões diferentes, frequentemente ligadas a cultos
à natureza, ancestrais ou entidades espirituais que não se harmonizam com o
monoteísmo bíblico nem com a centralidade de Cristo como único mediador (1Tm
2:5).
Raízes Históricas: A Apostasia Medieval
Este sincretismo não é fenômeno recente. Suas
raízes remontam à grande apostasia que se instalou na igreja durante a Idade
Média, quando ocorreu uma progressiva assimilação de elementos pagãos ao
cristianismo:
1.
Sincretismo Festivo: A cristianização de festividades pagãs, como o
Natal, que assimilou elementos da festividade romana do Sol Invicto (25 de
dezembro), ou a Páscoa, que incorporou elementos de celebrações da fertilidade.
2.
Sincretismo
Iconográfico: A adaptação de divindades pagãs
como "santos" cristãos - um processo evidente na evangelização de
povos europeus, onde divindades locais eram reconvertidas em figuras do
santoral católico.
3.
Sincretismo
Doutrinário: A incorporação de conceitos
filosóficos gregos (como o neoplatonismo) na teologia cristã, e práticas
espirituais de mistérios helenísticos nos ritos eclesiásticos.
4.
Sincretismo
Cosmológico: A assimilação de hierarquias
angélicas de origens diversas, criando uma complexa angelologia que mistura
elementos bíblicos com tradições extrabíblicas.
O Chamado para o Tempo do Fim
A imagem de Babilônia no Apocalipse não se refere apenas a um sistema político ou econômico, mas principalmente a um sistema religioso universalista que absorve e sintetiza diferentes crenças. O anjo proclama: "Caiu, caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, guarida de todo espírito imundo" (Apocalipse 18:2). Esta descrição revela a natureza espiritual por trás do sincretismo: uma confluência de influências espirituais contrárias aos princípios do evangelho puro.
Para o povo remanescente fiel nos últimos dias, a
ordem "sai dela" não é apenas uma recomendação, mas uma urgência
escatológica. Trata-se de:
1.
Separar-se
doutrinariamente de sistemas que misturam
verdades bíblicas com elementos estranhos.
2.
Discernir
espiritualmente as origens das práticas e
crenças, testando-as à luz das Escrituras (1 João 4:1).
3.
Manter a pureza do
culto, rejeitando adaptações sincréticas
que possam comprometer a adoração ao Deus único revelado em Jesus Cristo.
4.
Proclamar a
mensagem dos três anjos de Apocalipse
14, que inclui o chamado para temer a Deus e dar-Lhe glória, em contraste com o
sistema de Babilônia.
O chamado final
O chamado divino convoca os fiéis a discernirem entre
tradição e verdade bíblica, entre espiritualidade genuína e sincretismo, entre
adoração centrada em Cristo e práticas espirituais misturadas. No tempo do fim,
o povo remanescente é chamado a restaurar a pureza da fé, rejeitando as
correntes religiosas que relativizam a Escritura e abraçam uma espiritualidade
pluralista incompatível com o evangelho.
