Ser discípulo de Cristo exige fé, paciência e discernimento. Caminhamos recebendo toda sorte de informações e estímulos que nos deixam expostos a ciladas e distrações. Se manter no caminho é o desafio para o cristão atual.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
Como perder a fé e a salvação?
Não se perde a fé de um dia para o outro, como quem apaga uma luz, e sim porque, quase sempre, ela se esvai aos poucos, em concessões aparentemente inofensivas, em escolhas que vão anestesiando a consciência espiritual. A Escritura adverte que devemos “vigiar”, pois o maior perigo nem sempre vem de fora, mas do relaxamento interior. Entre tantos riscos que cercam o cristão contemporâneo, três se destacam como especialmente corrosivos.
1. Amizades íntimas com infiéis: influência silenciosa e corrosiva
A convivência social com pessoas de diferentes crenças é inevitável e, em muitos casos, necessária. O próprio Cristo se relacionou com publicanos e pecadores. No entanto, há uma diferença clara entre convivência e aliança íntima.
Amizades profundas moldam valores, linguagem, prioridades e decisões. Quando o cristão estabelece laços íntimos com quem não compartilha da mesma fé e visão espiritual, corre o risco de, pouco a pouco, relativizar suas convicções para preservar a harmonia do relacionamento. A fé deixa de ser o eixo central da vida e passa a ocupar um espaço privado, quase irrelevante.
O perigo não está na discordância explícita, mas na adaptação gradual: silenciar a fé para não parecer “radical”, flexibilizar princípios para não ser visto como “intolerante” e, por fim, perder o senso de identidade espiritual.
2. Aceitação de ideologias marxistas e valores mundanos que relativizam a Bíblia
Outro grande risco enfrentado pelos cristãos hoje é a absorção acrítica de ideologias que reinterpretam a realidade exclusivamente a partir de estruturas econômicas, sociais ou de poder. Quando essas visões passam a ser o filtro principal de leitura do mundo, a Bíblia deixa de ser autoridade final e passa a ser reavaliada, reeditada ou corrigida segundo valores contemporâneos.
Nesse contexto, os mandamentos deixam de ser absolutos e passam a ser considerados produtos culturais de um tempo ultrapassado. O pecado é redefinido como construção social; a verdade se torna relativa; a moral bíblica é vista como opressiva. Assim, a fé cristã é diluída para se ajustar ao espírito da época.
O problema não é a preocupação com justiça social ou dignidade humana — temas profundamente bíblicos —, mas a substituição da revelação divina por ideologias humanas que colocam o homem, e não Deus, no centro da história.
3. Falsos cultos e a idolatria do “eu”
Talvez um dos perigos mais sutis seja a transformação da fé em uma experiência centrada no próprio indivíduo. O culto deixa de ser adoração a Deus e passa a ser um espaço de autoafirmação, bem-estar emocional e realização pessoal.
Nesse cenário, Deus é visto como um meio para alcançar sucesso, prosperidade, autoestima ou felicidade imediata. O arrependimento é substituído pela autoaceitação irrestrita; a cruz dá lugar ao conforto; o discipulado é trocado por motivação. Trata-se de uma idolatria moderna, na qual o “eu” ocupa o trono que pertence somente a Deus.
Falsos cultos não se caracterizam apenas por imagens ou rituais evidentes, mas por uma espiritualidade que rejeita o confronto, a renúncia e a obediência, oferecendo uma fé moldada aos desejos humanos.
Considerações finais
Perder a fé e a salvação não é, na maioria das vezes, um ato de rebeldia explícita, mas um processo de acomodação. Começa com alianças mal discernidas, passa pela aceitação acrítica do espírito do tempo e se consolida na centralidade do próprio “eu”.
O chamado bíblico continua atual: vigilância, fidelidade à verdade revelada e um culto que devolva Deus ao centro. Não para viver com medo, mas para caminhar com lucidez. Afinal, a fé não se perde apenas quando é negada, mas também quando é diluída até deixar de fazer diferença.
Final de ano: Reflexões em tempo de encerramento!
Ao aproximar-se mais um fim de ano, chegamos a um momento peculiar de reflexão. Enquanto o mundo ao redor se apressa em celebrações barulhentas e extravagantes, surge no coração do crente uma pergunta mais profunda: o que verdadeiramente constitui realização?
Em um mundo cada vez mais orientado para superficialidades, o que consola não é o acúmulo de bens ou a busca por felicidades instantâneas, mas sim a percepção silenciosa de ter-se aproximado, mesmo que um passo de cada vez, da essência do Evangelho. A realização cristã não se mede pela quantidade, mas pela qualidade espiritual; não pelo que se ostentou, mas pelo que se tornou em Cristo.
O registro que permanece
Para o cristão, o verdadeiro legado não está em memórias digitais ou conquistas terrenas, mas no "registro de sinceridade e fidelidade nos livros dos céus". Cada ato de compaixão discretamente exercido, cada palavra de ânimo oferecida, cada momento de paciência em meio à provação - estas são as marcas que transcendem o tempo. São os traços de Cristo sendo formados em nosso caráter, a "impressão positiva na sociedade" que brota não de estratégias de imagem, mas de uma transformação interior.
O combate diário
A realização anual mais significativa talvez seja justamente a consciência de ter "combatido o bom combate". Não só um combate contra poderes ou coisas, mas contra as próprias limitações, contra a tentação da indiferença, contra a corrente cultural que nos arrasta para longe dos valores do Reino. Cada dia vivido com integridade em um ambiente que premia a esperteza; cada escolha de honestidade quando a desonestidade seria mais vantajosa; cada decisão de perdoar quando o ressentimento seria mais fácil - eis as batalhas invisíveis que constituem a verdadeira guerra espiritual.
A busca que traz esperança
Enquanto o mundo busca esperança em previsões econômicas ou promessas políticas, o cristão encontra consolo em uma certeza que transcende circunstâncias: a volta de Jesus. Essa expectativa não é fuga da realidade, mas a âncora que dá significado a todos os nossos combates diários. Saber que "estamos indo para algum lugar" não apenas no sentido geográfico, mas no aperfeiçoamento do caráter rumo à estatura de Cristo, transforma cada dificuldade em oportunidade de crescimento e cada alegria em antegozo da comunhão eterna.
O ideal que se renova
Ao estabelecer metas para o novo ano, o cristão sábio não se contentará com resoluções superficiais. Seu ideal de vida será continuar a jornada de tornar-se mais parecido com Jesus em um mundo que muitas vezes não compreende essa busca. Manter um blog com mensagens espirituais, sim, mas também viver essas mensagens no silêncio do lar, na pressa do trabalho, na complexidade dos relacionamentos.
Chegamos ao fim deste ano não com a arrogância de quem conquistou tudo, mas com a humilde gratidão de quem lutou, caiu, levantou-se pela graça, e seguiu adiante. A maior realização é poder olhar para trás e perceber, mesmo nas imperfeições do caminho, os traços da mão de Deus nos conduzindo, transformando nosso caráter, usando nossas vidas para propósitos maiores que nós mesmos.
Que ao fecharmos este ciclo, possamos dizer com convicção crescente: "Combati o bom combate, guardei a fé" - não como declaração de perfeição, mas como testemunho de perseverança. E que essa convicção nos impulsione para o novo ano não com expectativas ingênuas de facilidade, mas com a coragem renovada de continuar a jornada, sabendo que Aquele que começou a boa obra em nós há de completá-la.
Aguinaldo C. da Silva
sábado, 13 de dezembro de 2025
sexta-feira, 12 de dezembro de 2025
Oração no pôr do sol de sexta-feira!
Senhor meu Deus, ao final de mais uma semana de trabalho, lutas e provas, chego a este sábado trazendo comigo o peso dos dias e o cansaço da alma. Houve momentos em que precisei sustentar-me apenas pela perseverança e pela resiliência, quando as respostas não vieram e o caminho pareceu incerto. Ainda assim, neste tempo separado, minha alma Te procura, desejando o Teu colo, a Tua paz e o silêncio que cura.
Como diz o salmista, reconheço: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?” (Sl 42:5). Faço dessa pergunta uma oração, não para me acusar, mas para lembrar-me de onde vem minha esperança. Decido esperar em Ti, porque Tu és a minha salvação e o meu Deus, mesmo quando as circunstâncias não se explicam (Sl 42:5–6).
Neste descanso sagrado, peço que aquietes meu interior. Que minha alma esteja diante de Ti como “a criança desmamada no colo de sua mãe” — não exigente, não inquieta, apenas confiante e segura (Sl 131:2). Ensina-me a descansar sem pressa, a confiar sem controle, a aceitar que nem tudo precisa ser resolvido agora.
Vivemos dias imprevisíveis, e o futuro, muitas vezes, se apresenta envolto em incertezas. Ainda assim, encontro consolo na certeza de que Tu não desamparas um filho, mas velas por sua alma. Em Ti entrego meus temores, meus limites e aquilo que não posso mudar.
Assim, escolho repousar. “Em paz me deito e logo adormeço, porque só Tu, Senhor, me fazes viver em segurança” (Sl 4:8). Que este sábado seja mais do que uma pausa no tempo: seja um reencontro contigo, um sinal de que o verdadeiro descanso não está na ausência de problemas, mas na Tua presença.
Por isso, com humildade e fé, confesso:
minha alma descansa em Ti.
Amém.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Para que não seja apenas mais um Natal
Há quem viva o Natal como uma data marcada no calendário, repetida ano após ano, cercada de luzes, canções, filas nas lojas e expectativas sociais. Mas, se tudo isso for apenas um ciclo que se repete, então o Natal corre o risco de se tornar… apenas mais um Natal. A vinda Dele ao mundo, envolto em simplicidade e graça, foi muito mais que estabelecer uma data festiva ou marcante no calendário. Sua intenção era renovar as almas, curar os corações, revelar o Pai.
O sentido do Natal, em sua essência, não é cultural, não é folclórico nem tampouco uma celebração puramente emocional. O Natal é uma irrupção divina na história humana. O nascimento de Jesus é o acontecimento que transforma o mundo porque transforma pessoas, por dentro, no íntimo, onde o comércio não alcança, onde enfeites não iluminam, mas onde Deus escolheu habitar.
Por isso, o Natal comercial, na verdade, não faz sentido para quem busca viver o Cristo real. Não são os presentes que definem a festa, mas a Presença. Não é a troca de embalagens que cura feridas, mas a vivência do amor, da caridade, do espírito fraterno que se torna visível naqueles que se deixam moldar por Aquele que nasceu em Belém.
E, ainda assim, há um detalhe muitas vezes esquecido: amar o próximo como a nós mesmos pressupõe que saibamos nos acolher. Não uma autoestima baseada em vaidade ou mérito, mas um reconhecimento profundo: somos filhos de Deus, envolvidos por um amor que antecede nossa existência e sustenta nossa jornada.
Quando essa certeza repousa no coração, o amor ao próximo deixa de ser um esforço e passa a ser um transbordar. É compartilhar aquilo que primeiro nos impactou, que nos curou, que ressignificou nossa vida.
O Natal, então, não é apenas a comemoração da chegada de Cristo na história, mas a celebração de Sua chegada à nossa própria história pessoal. É permitir que Ele nasça novamente em nosso interior, iluminando áreas que ainda vivem em sombras, aquecendo afetos resfriados, despertando esperança onde parecia haver apenas rotina.
Somente assim, quando Cristo não é apenas lembrado, mas presente; não apenas citado, mas acolhido; não apenas celebrado, mas vivido — somente assim o Natal cumpre seu propósito eterno. E dessa transformação interior surge a possibilidade de um mundo melhor, de relações mais humanas, de uma vida verdadeiramente abundante, justa e digna, conforme a vontade do Pai.
Que este Natal não seja mais um.
Que seja o Natal — aquele que renova, que desperta, que transforma.
Aquele em que Cristo nasce, novamente, dentro de nós.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
A perseguição aos cristãos se intensifica no mundo
Nos dias atuais, a perseguição religiosa tem causado grande sofrimento aos cristãos em vários países. Constata-se uma intensificação crescente de oposição ao cristianismo, evocando as metáforas bíblicas que descrevem a Igreja sob ataque no cenário profético do final dos tempos. A cada ano, novos relatórios documentam que milhões de cristãos vivem sob pressão, discriminação, violência ou perseguição institucional.
Segundo o mais recente relatório Open Doors, publicado em 2025, mais de 380 milhões de cristãos em todo o mundo enfrentam “níveis elevados” de perseguição e discriminação por causa da fé.
Em 2024, aproximadamente 4.476 cristãos foram mortos por motivos ligados à fé, e só na África, a maioria dessas mortes ocorreu na Nigéria.
A perseguição não se limita à violência extrema. Em vários países, como a China, a opressão assume formas mais sutis, porém igualmente gravosas: fechamento de igrejas, restrições ao culto, vigilância digital, proibição de participação de menores em eventos religiosos, prisões arbitrárias, detenção de pastores e proibição de reuniões nas chamadas “igrejas domésticas”.
Ao mesmo tempo, comunidades inteiras são forçadas a fugir, emigrar ou viver na clandestinidade da fé. Igrejas são destruídas, comunidades desfeitas, famílias desintegradas e a prática religiosa cristã, em muitas regiões, se torna um ato de coragem e risco.
Na Bíblia, no capítulo 24 do Evangelho segundo Jesus Cristo, Ele alerta seus discípulos: haverá perseguição, tribulação, falsos profetas e ódio por causa do nome Dele — e tudo isso como parte dos “últimos dias”. Com certeza esses acontecimentos contemporâneos são indícios de que o mundo se aproxima do clímax do conflito cósmico entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas.
Quando lemos as notícias vindas da Nigéria, da China, do Paquistão, do Oriente Médio e de muitos outros lugares, vemos que a igreja passa por um ponto difícil da história, sendo que em alguns lugares se aproxima de épocas sombrias como nos primórdios — e talvez pior. A mídia, os relatórios, os testemunhos: todos apontam para um cenário em que seguir a Cristo representa coragem, convicção e, muitas vezes, sofrimento real.
As estatísticas globais de perseguição, morte, discriminação, opressão e destruição de igrejas, contrariam expectativas de outrora, tendo em vista os avanços da democracia e dos direitos humanos no mundo. Agora se vê, em vários países, um retrocesso dos direitos de liberdade religiosa e livre expressão de fé. A evangelização continua, mesmo em meio ao risco, e a fé permanece em meio as provas, mostrando a necessidade cada vez maior de preparo e vigilância espiritual daqui em diante. Sobretudo do “espírito de perseverança” predito para os dias finais da história.
Referências
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Open Doors — “World Watch List 2025”: mais de 380 milhões de cristãos sofrem perseguição ou discriminação elevada. Vatican News
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Dados de mortes, prisões e ataques em 2024: 4.476 cristãos mortos por motivos de fé; aumento no número de detidos e comunidades forçadas a deslocar-se. Vatican News
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Situação da China: fechamento de igrejas, aumento da vigilância, restrições a menores e igrejas domésticas — agravamento da repressão religiosa. China Christian Daily
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Conflitos regionais e perseguição em países como Nigéria, Paquistão, países de maioria islâmica — contexto mundial da opressão aos cristãos. Sir Agenzia
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
Assinatura de Deus na Criação
Quando olhamos para a vida em sua origem mais profunda, descobrimos um alfabeto silencioso que sustenta tudo o que respira: A, T, G e C, as quatro letras do DNA. Essas pequenas moléculas formam sequências capazes de instruir a formação de proteínas, células e organismos inteiros. Não são apenas blocos químicos; funcionam como um código, uma linguagem que dirige a vida com precisão matemática.
E onde existe código, naturalmente surge a pergunta: quem o escreveu?
Muitos pesquisadores e pensadores cristãos enxergam no DNA uma evidência da ação de uma mente superior. A extraordinária organização da informação genética, sua capacidade de se replicar e de produzir sistemas interdependentes — como o metabolismo e a síntese de proteínas — apontam para o que alguns chamam de complexidade irredutível: estruturas que não funcionam se forem desmontadas em partes menores, como se já tivessem sido concebidas prontas desde o início. Para esses estudiosos, como o bioquímico Michael Behe e o filósofo da ciência Stephen C. Meyer, o DNA não é apenas química; é um “texto” que carrega propósito e intenção.
Mesmo dentro do pensamento científico convencional, há uma admissão importante: a origem do código genético permanece um mistério. Não há consenso sobre como a primeira molécula capaz de armazenar e transmitir informação surgiu. A biologia explica muitos processos após o surgimento da vida, mas o primeiro passo — aquele salto entre a química bruta e a informação organizada — continua sem resposta.
O mais intrigante é que, fora da biologia, sistemas que contêm informação codificada só surgem de mentes inteligentes: livros, softwares, linguagens, música, algoritmos. Por isso, muitos veem no DNA um indício poderoso de que a vida não é um evento cego, mas o resultado de um projeto.
Para quem crê, essa constatação ecoa as palavras antigas do salmista:
“Os céus proclamam a glória de Deus; o firmamento anuncia a obra das suas mãos.” (Salmo 19:1)
Talvez, no nível mais microscópico da vida, esse anúncio continue sendo feito — não com estrelas, mas com letras químicas que formam frases invisíveis em cada célula.
Para muitos, o DNA é justamente isso: a assinatura de Deus na criação, escrita em toda criatura, revelando que por trás da vida há propósito, ordem e cuidado.
Referências sugeridas para aprofundamento:
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Michael Behe — Darwin’s Black Box (1996)
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Stephen C. Meyer — Signature in the Cell (2009)
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Francis Collins — The Language of God (2006)
sábado, 6 de dezembro de 2025
Anjos e demônios em cenário real
Quando se fala em anjos e demônios, muitos pensam imediatamente na famosa obra de Dan Brown. Mas a realidade espiritual que a Bíblia descreve está muito além da ficção. Trata-se de um conflito cósmico real, que envolve cada ser humano e que se intensifica à medida que a história deste mundo se aproxima de seu desfecho.
O apóstolo Paulo nos advertiu claramente: “a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestes” (Efésios 6:12). Ou seja, muito do que vemos na superfície — crises, tentações, conflitos, ideologias e seduções — tem por trás uma batalha invisível, travada entre os anjos de Deus e os anjos caídos.
Anjos em missão constante
A Bíblia apresenta os anjos como seres reais, atuantes e profundamente envolvidos com a história humana. O sonho de Jacó, registrado em Gênesis 28, revela uma “escada” que ligava o céu à terra, sobre a qual “anjos subiam e desciam”. Esse detalhe é significativo: eles subiam primeiro, indicando que sua presença entre nós é constante. Estão em missão, guardando, protegendo, orientando e executando as ordens de Deus em favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hebreus 1:14).
Essa imagem da escada não é apenas poética; ela revela que o céu não está distante. Há um fluxo contínuo de atividade divina no mundo, mesmo quando não percebemos. Deus não nos deixou à deriva — Seus mensageiros estão presentes, atuantes, movendo-se entre o visível e o invisível.
A outra face da batalha: anjos caídos em ação
No entanto, a Escritura também revela que um terço dos anjos se rebelou com Satanás e foi expulso do céu (Apocalipse 12:4, 7–9). Esses seres, agora identificados como demônios, continuam sua obra de engano com intensidade crescente. Eles não se apresentam como realmente são; pelo contrário, “se disfarçam em anjos de luz” (2 Coríntios 11:14).
É por isso que o engano espiritual assume formas tão variadas: manifestações sobrenaturais, supostos “santos” já falecidos aparecendo como intercessores, fenômenos místicos, espiritualistas e até mesmo avistamentos de ovnis e entidades misteriosas — caminhos pelos quais muitos têm sido levados a crer em mensagens contrárias à verdade bíblica.
Satanás é mestre em se aproveitar da curiosidade humana pelo espiritual e pelo extraordinário. Seu objetivo é o mesmo desde o Éden: distorcer a verdade e afastar a humanidade da Palavra de Deus.
Enganos do tempo do fim
Jesus advertiu que, no final dos tempos, os enganos seriam tão intensos que, “se possível, enganariam até os eleitos” (Mateus 24:24). Isso revela duas realidades:
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Os enganos serão envolventes, convincentes e altamente persuasivos.
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Somente quem estiver firmemente ancorado na Palavra de Deus permanecerá inabalável.
Vivemos num cenário espiritual carregado, marcado por ideologias confusas, espiritualidade sem compromisso com a verdade, experiências místicas desvinculadas da Escritura e uma crescente normalização do sobrenatural distorcido. Em meio a isso, anjos e demônios atuam — uns para salvar, outros para destruir.
Chamado à vigilância
Não estamos abandonados no campo de batalha. Deus enviou Seus anjos para nos proteger, guiar e fortalecer. Mas Ele também nos chama à vigilância, ao estudo da Bíblia e à comunhão diária. O cristão que vive desperto, revestido da armadura espiritual descrita em Efésios 6, discerne a verdade em meio ao engano.
Estamos vivendo dias solenes. O conflito invisível é real. E, ainda que os olhos humanos não vejam, o céu inteiro está em movimento — anjos subindo e descendo, lutando por nós, enquanto o inimigo intensifica sua última ofensiva.
Que estejamos do lado certo, firmes naquele que venceu todas as trevas: Jesus Cristo, Senhor dos anjos e Rei que está prestes a voltar.






