quarta-feira, 22 de outubro de 2025

22 de outubro de 1844 - uma data significativa!

 


Para muitos, o dia 22 de outubro de 1844 é lembrado apenas como o grande desapontamento do movimento adventista, quando Jesus não voltou conforme se esperava. No entanto, essa data possui profundo significado profético e teológico.

Primeiramente, ela marca uma nova compreensão da obra de Cristo no santuário celestial. A partir do estudo das profecias bíblicas, especialmente do livro de Daniel, os adventistas reconheceram que naquele momento Jesus iniciava a fase final de Seu ministério como Sumo Sacerdote diante de Deus — a obra de julgamento pré-advento.

Além disso, essa experiência está diretamente ligada à profecia de Apocalipse 10. Ali se descreve um movimento cujo “livrinho” é doce na boca, mas torna-se amargo no estômago — uma clara referência à expectativa jubilosa da volta de Cristo seguida pela amarga decepção. Ainda assim, do desapontamento nasceu uma nova missão: a proclamação das mensagens dos três anjos de Apocalipse 14, anunciando adoração verdadeira, juízo iminente e o chamado para sair da Babilônia espiritual — o conjunto de sistemas religiosos corrompidos por doutrinas falsas.

Esse despertar profético ocorre exatamente após o período dos 1260 anos (538 d.C. – 1798 d.C.), mencionado tanto em Daniel quanto em Apocalipse. A partir daí cumpre-se também a profecia de Daniel 12:4: “o saber se multiplicará”, não apenas em termos científicos e culturais, mas sobretudo no entendimento das verdades escatológicas.

Interessante notar que, nesse mesmo período da história mundial, surgem movimentos e ideologias contrárias ao plano divino:
• Charles Darwin publica A Origem das Espécies, promovendo uma visão naturalista da existência;
• O espiritismo moderno nasce com os fenômenos ocorridos na casa das irmãs Fox, nos EUA;
• Ideias marxistas começam a ganhar forma com os escritos de Karl Marx;
• Mais tarde, nos EUA, o movimento carismático da Rua Azusa desponta, contribuindo para confusões espirituais antes do verdadeiro reavivamento bíblico esperado.

Seria tudo isso coincidência? A profecia indica que não. Esses acontecimentos refletem a intensificação do grande conflito espiritual exatamente no período em que Deus levanta um povo remanescente (Apocalipse 12:17) para anunciar Sua verdade com poder ao mundo.

Por isso, 22 de outubro de 1844 não deve ser visto apenas como um fracasso histórico. Essa data marca o início de um novo capítulo profético para a igreja: o tempo do fim — o tempo final antes da segunda vinda de Jesus Cristo. Estamos hoje vivendo aproximadamente duzentos anos dentro desse período decisivo, em que a mensagem de Deus deve alcançar toda nação, tribo, língua e povo.

Assim, a relevância de 1844 permanece viva e merece nossa profunda consideração.

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terça-feira, 21 de outubro de 2025

A evolução do diálogo entre fé ciência

 


Ao longo dos séculos, a ciência tentou afastar Deus de suas equações. Mas as descobertas sobre a origem do universo, o ajuste fino da natureza e a complexidade do DNA reacenderam o debate sobre a existência de um Criador. Entenda como ciência e fé voltaram a se cruzar.

Palavras-chave sugeridas:
Deus e ciência, existência de Deus, Big Bang e fé, ajuste fino do universo, DNA e criação, Francis Collins, Georges Lemaître, origem do universo, filosofia da ciência, design inteligente


O começo de um desencontro

Durante a Revolução Científica, entre os séculos XVII e XVIII, o mundo ocidental viveu um entusiasmo sem precedentes com o poder da razão. A natureza, antes vista como obra misteriosa de Deus, passou a ser estudada como um sistema regido por leis matemáticas e previsíveis.

Isaac Newton, profundamente crente, via o universo como um grande mecanismo criado e mantido por Deus. Mas com o passar do tempo, a ideia de uma intervenção divina constante foi sendo descartada. O físico Pierre-Simon Laplace, ao apresentar sua teoria sobre o cosmos a Napoleão, respondeu com ironia:

“Senhor, não tive necessidade dessa hipótese.”

A frase simbolizou o auge do racionalismo: um universo autossuficiente, sem necessidade de um Criador. Contudo, o século XX viria a reabrir essa questão de forma surpreendente — não por meio da religião, mas pela própria ciência.


O Big Bang e o retorno da pergunta sobre a origem

No início do século XX, a cosmologia moderna virou de cabeça para baixo a ideia de um universo eterno. O padre e físico Georges Lemaître propôs que o cosmos teve origem a partir de um “átomo primordial” — teoria que seria confirmada por observações astronômicas e ficaria conhecida como o Big Bang.

O astrônomo Fred Hoyle, crítico da ideia, admitiu desconforto: “A noção de que o universo teve um início tem implicações metafísicas incômodas.

Mesmo o célebre Stephen Hawking reconheceu, em Uma Breve História do Tempo:

“Se o universo teve um começo, poderíamos supor que ele teve um Criador.”

E mais tarde, em outra reflexão, confessou:

“A questão sobre o que respirou fogo nas equações e criou o universo permanece um mistério.”

Assim, a cosmologia — que muitos acreditavam ter banido Deus — acabou devolvendo a velha pergunta filosófica: por que há algo em vez de nada?


O ajuste fino do universo: coincidência ou intenção?

Com o avanço da física teórica, cientistas perceberam algo ainda mais intrigante: as leis da natureza parecem ajustadas com precisão extraordinária para permitir a existência da vida. Pequenas variações em constantes fundamentais — como a gravidade ou a carga do elétron — tornariam o cosmos estéril.

O físico Paul Davies, em A Mente de Deus, afirmou:

“Parece que alguém ajustou as leis da física — não só para que o universo seja habitável, mas para que seja compreensível.”

O astrônomo Martin Rees reforçou essa percepção:

“As seis constantes fundamentais do universo estão calibradas com uma precisão inimaginável para permitir o surgimento de vida.”

Para o geneticista Francis Collins, ex-diretor do Projeto Genoma Humano, isso não é coincidência:

“Quanto mais estudo a ciência, mais acredito em Deus. A ciência é o meio pelo qual Ele revela Sua criação.”

Mesmo cientistas céticos, como o físico Sean Carroll, admitem que a precisão das condições iniciais “é um fato notável que precisa ser explicado”. A diferença está em como interpretamos esse fato: acaso ou intenção.


O DNA: a assinatura da vida

Se o cosmos já é surpreendente, a vida é um prodígio ainda maior. A descoberta da dupla hélice do DNA revelou uma estrutura de complexidade e elegância impressionantes. Cada célula contém bilhões de instruções genéticas organizadas como um software biológico.

O próprio Francis Crick, um dos descobridores do DNA, confessou:

“A origem da vida parece quase um milagre, tantas são as condições necessárias para que ela surja.”

Francis Collins descreveu o DNA como “a linguagem de Deus”, e mesmo o biólogo ateu Richard Dawkins reconheceu que “os seres vivos carregam a aparência de terem sido projetados com um propósito” — embora atribua isso à seleção natural.

A biologia moderna, ao revelar a dimensão informacional da vida, trouxe de volta uma pergunta que ecoa para além dos laboratórios: a informação pode existir sem um informante?


O reencontro entre fé e razão

Curiosamente, a ciência parece ter completado um ciclo. Depois de tentar eliminar Deus de suas explicações, hoje volta a reconhecer que talvez o mistério seja uma parte essencial da realidade.

Albert Einstein expressou isso de modo magistral:

“A coisa mais incompreensível sobre o universo é que ele é compreensível.”

Para Einstein, essa ordem profunda do cosmos indicava “a presença de algo maior — um espírito superior, mas não pessoal, que se revela na harmonia do mundo”.

O físico e teólogo John Polkinghorne, de Cambridge, resumiu a questão com equilíbrio:

“A ciência nos diz como o mundo funciona; a fé nos diz por que ele existe.”

E o Nobel Charles Townes, inventor do laser, afirmou:

“A ciência e a religião não são inimigas. São duas maneiras de tentar compreender o mesmo mistério.”


Conclusão

Ao contrário do que se imaginava, o progresso científico não destruiu a fé — apenas a transformou. O Deus das lacunas, invocado para explicar o que não se sabia, deu lugar ao Deus da ordem, percebido justamente no que a ciência revela de mais fascinante.

O Big Bang mostra um universo que começou; o ajuste fino sugere um cosmos que acolhe a vida; o DNA revela uma linguagem sofisticada que sustenta a existência. Nenhum desses fatos prova Deus — mas todos eles apontam para algo que transcende o acaso.

Talvez, como dizia o filósofo britânico Antony Flew — ateu durante a maior parte da vida e convertido no final —, “a descoberta de uma mente por trás do universo é a conclusão mais racional à qual cheguei, observando as evidências.”

Uma analise ampla e profunda torna a relação entre fé e ciência  não somente aceita mas também necessária. Complementares entre si, pois enquanto a ciência logra êxito em demonstrar a complexidade das estruturas e sua funcionalidade a fé consegue apontar para uma origem plausível dentro da lógica e da racionalidade. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Como o conhecimento de Deus transforma o caráter

 


Jó certa vez declarou: “Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te veem os meus olhos” (Jó 42:5). Essas palavras revelam uma profunda verdade espiritual: o conhecimento de Deus que realmente transforma não é o meramente intelectual, acadêmico ou teológico, mas aquele que nasce da experiência pessoal, do encontro vivo com o Criador.

Quando Jó contemplou a grandeza de Deus — tanto nas obras da criação quanto nas manifestações do Seu amor — sua visão de si mesmo e do mundo foi completamente modificada. A percepção da magnificência divina, seja na imensidão do universo (Salmo 8:3-6), seja nas perguntas que Deus lhe fez para mostrar os limites do saber humano, despertou nele humildade, reverência e confiança. Essa visão espiritual é mais do que admirar a natureza; é reconhecer, em cada detalhe, o reflexo do caráter de um Deus sábio, poderoso e amoroso.

Contemplar a grandeza de Deus também nos leva a considerar a profundidade do Seu amor. Quando meditamos em verdades como “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16), somos tomados por um sentimento que mistura assombro e gratidão. Esse amor infinito nos constrange e nos eleva. Ele dissolve o orgulho, cura a sensação de insignificância e desperta em nós a dignidade de quem sabe que pertence à família de Deus: “Amados, agora somos filhos de Deus” (1 João 3:2).

O verdadeiro conhecimento de Deus transforma o caráter porque muda o centro da vida. Aquele que conhece a Deus deixa de buscar valor no reconhecimento humano, pois encontra seu valor em ser parte do Reino de um Deus tão vasto e glorioso. As dificuldades, as injustiças e a falta de aprovação social perdem o poder de abater quem tem consciência de que é filho do Criador do Universo.

Conhecer a Deus, portanto, não é acumular informações sobre Ele, mas viver em comunhão com Sua presença, sentir-se envolvido por Sua sabedoria e amor, e permitir que essa consciência guie cada decisão. É ter fé suficiente para ajustar o rumo da própria vida à Sua vontade. Por isso, Jesus afirmou: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3).

Assim, o conhecimento de Deus não apenas ilumina a mente, mas transforma o coração. Ele nos faz humildes, confiantes, pacíficos e amorosos — reflexos vivos do caráter daquele que nos criou e nos chama para andar em Sua luz.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Liderança Pró-Ativa: Um Chamado para Fazer a Diferença

 


Liderar não é apenas ocupar um cargo, ter autoridade formal ou exercer poder sobre outros. Liderança verdadeira começa dentro de casa, dentro de si mesmo, na maneira como se escolhe viver e influenciar os que estão ao redor. Cada pessoa, independentemente de títulos ou posições, é chamada a exercer algum tipo de liderança — seja como pai ou mãe, irmão, amigo, cidadão ou servo de Cristo.

A liderança pró-ativa é mais do que reagir às circunstâncias; é agir com discernimento e propósito. Ela é sensível às necessidades alheias e atenta ao contexto em que está inserida. O líder pró-ativo observa antes de agir, discerne antes de decidir e se antecipa aos desafios antes que eles se tornem crises. Não é alguém que apenas mantém o “status quo”, mas que busca constantemente crescer, inovar e inspirar outros a fazerem o mesmo.

Esse tipo de liderança é servidora — e o maior exemplo disso é Jesus Cristo, que, embora fosse o Senhor de tudo, escolheu servir. Ele lavou os pés de Seus discípulos, curou os enfermos, acolheu os marginalizados e, por amor, deu Sua vida. Ele mostrou que a verdadeira grandeza está em servir. Como Ele mesmo disse:

“O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mateus 20:28)

Ellen G. White, uma autora cristã de profunda sabedoria, escreveu:

“A verdadeira grandeza não consiste em ser senhor, mas em ser servo fiel de Deus.” (Educação, p. 57).

Ser um líder pró-ativo é ter uma visão — saber onde quer chegar e inspirar outros a caminharem nessa direção. É não se conformar com o “mais do mesmo”, mas buscar diariamente um diferencial que reflita o caráter de Cristo. É ser previdente, discernindo os tempos e conduzindo com sabedoria os que estão sob sua influência.

O mundo precisa desesperadamente de pessoas assim — líderes de esperança, de caráter, de fé. Não daqueles que apenas “veem a banda passar”, mas daqueles que marcham com propósito, deixando pegadas que inspirem outros a seguirem o mesmo caminho.

Portanto, seja você esse líder.
Lidere sua casa com amor, sua fé com coragem, sua comunidade com exemplo. Não espere um título para exercer influência. Que sua vida seja uma mensagem viva de esperança e transformação — uma marca deixada não nas pedras, mas nos corações.

“O maior desejo do mundo é o de homens — homens que não se comprem nem se vendam, homens sinceros e honestos, que não temam chamar o pecado pelo nome exato, homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola ao polo.”
Ellen G. White, Educação, p. 57

Nestes últimos dias em que estamos vivendo  o mundo, a comunidade e a igreja precisam de bons líderes. Comece hoje sendo alguém que contribui, ajuda, agrega, traga ou ofereça algum beneficio, mesmo que seja algo considerado pequeno como uma palavra de ânimo, um ar de simpatia ou atitude que  gere esperança. Com certeza fará alguma diferença.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O maior capital de Pedro

 


Em Atos 3:6, Pedro, diante de um homem coxo que pedia esmolas à porta do templo, proferiu palavras que ecoam até hoje como testemunho de um coração cheio do Espírito Santo: "Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda!". Essa declaração revela mais do que uma ausência de bens materiais — revela o que Pedro verdadeiramente possuía: o poder de Deus, a unção do Espírito Santo, o maior capital que um homem pode ter.

Pedro, outrora impulsivo, vacilante e temeroso, tornou-se, após Pentecostes, um canal de cura, vida, e transformação. Isso só foi possível porque ele obedeceu à ordem de Jesus: "Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder" (Lucas 24:49). Essa espera não foi passiva. Foi uma busca ativa, marcada por oração, confissão, arrependimento e unidade. Foi ali que o Espírito veio — não como mera experiência emocional, mas como dynamis, poder para testemunhar, curar, perdoar, e transformar o mundo ao redor.

A Bíblia não sugere, mas ordena: "Enchei-vos do Espírito" (Efésios 5:18). Não é opcional para quem deseja viver como discípulo e apóstolo — um enviado. Ser cheio do Espírito é condição essencial para levar o evangelho não apenas com palavras, mas com vida. Com gestos, com atitudes. Com compaixão, fé, esperança, humildade e verdade. O verdadeiro evangelho é pregado quando o caráter de Cristo é visível nos atos cotidianos.

Pedro e os demais discípulos, ao receberem o Espírito, também receberam a cura de suas próprias falhas. Medo, disputas por posição, ressentimentos — tudo foi posto de lado em favor de uma unidade viva, que até hoje serve de referência para a Igreja. Esse Espírito criou um povo de corações ardentes, mãos abertas e pés dispostos a ir. A Igreja não nasceu forte por causa de estratégias ou estruturas, mas por estar cheia de Deus.

Nos dias de hoje, essa plenitude parece escassa. As igrejas crescem em número, mas muitas vezes carecem do poder que transforma. Precisamos com urgência da chuva serôdia, prometida em Joel 2:23 — o derramar final do Espírito sobre os que estiverem preparados. A chuva serôdia é comparada àquela que amadurece a colheita, que prepara os frutos para serem recolhidos. Ela traz renovação, coragem, discernimento e um amor ardente pelas almas. Ela é dada para a última grande obra de evangelização antes do retorno de Cristo.

Mas essa chuva não cairá sobre todos indiscriminadamente. O Espírito não é derramado sobre os que vivem para si mesmos, preocupados com status, reconhecimento, prazeres e conforto. Ele é dado àqueles que têm coração sincero, espírito reto, que vivem em harmonia com a Palavra. Gente que não busca posição, mas presença. Que não quer aplausos, mas a aprovação de Deus.

Pedro não tinha prata nem ouro. Mas tinha algo muito maior. Ele tinha o Espírito. E com isso, tinha tudo. Esse é o maior capital de um cristão. E está disponível a todo aquele que, como os discípulos, espera, busca, se consagra e se entrega.

"O que tenho, isso te dou..." — que essa também seja a nossa oração e a nossa oferta ao mundo.


terça-feira, 7 de outubro de 2025

O massacre silencioso de cristãos na Nigéria e a indiferença da mídia internacional

 


Enquanto os olhos do mundo se voltam para os conflitos em Gaza e na Ucrânia, um verdadeiro massacre silencioso acontece na Nigéria — e quase ninguém fala sobre isso. Em pleno século XXI, o país mais populoso da África vive uma onda de violência que tem dizimado comunidades inteiras de cristãos, muitas vezes com o total descaso das autoridades e a indiferença da mídia internacional.

Um genocídio pouco noticiado

De acordo com relatórios de organizações locais e internacionais de direitos humanos, mais de 7.000 cristãos foram assassinados na Nigéria apenas entre janeiro e agosto de 2025, além de cerca de 7.800 pessoas sequestradas nesse mesmo período. Isso representa uma média de mais de 30 cristãos mortos por dia — números que rivalizam com os de zonas de guerra oficialmente reconhecidas.
Entre 2009 e 2025, estima-se que cerca de 185.000 civis tenham sido mortos em incidentes com motivações religiosas ou étnico-religiosas. Desses, aproximadamente 125.000 eram cristãos, e outros 60.000 muçulmanos moderados que também foram vítimas do extremismo.

A tragédia não se resume às mortes. Mais de 19.000 igrejas foram destruídas, centenas de vilas cristãs desapareceram, e milhares de fiéis se encontram deslocados, vivendo em campos de refugiados dentro do próprio país.

As causas: radicalismo, negligência e impunidade

As origens desse horror são múltiplas, mas se cruzam em três eixos principais:

  1. Extremismo religioso – Grupos terroristas como o Boko Haram e o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) continuam promovendo ataques sistemáticos contra comunidades cristãs, com o objetivo declarado de “limpar” regiões do norte e centro da Nigéria da presença cristã.

  2. Conflitos entre pastores e agricultores – Disputas antigas por terras e recursos naturais foram intensificadas pelas mudanças climáticas e o avanço do deserto, tornando-se terreno fértil para o ódio étnico e religioso. Milícias de pastores Fulani, muitas vezes armadas e radicalizadas, têm atacado vilas cristãs com brutalidade crescente.

  3. Negligência estatal – O governo nigeriano tem sido amplamente criticado por sua falta de resposta eficaz. Em muitos casos, as forças de segurança não chegam a tempo — ou simplesmente não intervêm. Poucos agressores são presos, e as investigações raramente resultam em justiça.

Essa combinação explosiva de fanatismo e impunidade cria um ambiente onde matar cristãos se torna um crime sem consequência.

O silêncio ensurdecedor da mídia global

Talvez o aspecto mais chocante de toda essa tragédia seja o silêncio da mídia internacional. Enquanto guerras em regiões geopolíticas estratégicas recebem cobertura constante, o sofrimento de milhares de nigerianos passa despercebido. Quando noticiado, é frequentemente descrito como “conflito étnico” ou “disputa por terras”, evitando mencionar o caráter religioso da perseguição.

Essa diferença de tratamento revela um viés profundo: a vida de cristãos africanos parece ter menos valor jornalístico que a de civis em regiões de maior interesse político ou econômico. O resultado é um genocídio silencioso — invisível para grande parte do público global.

A responsabilidade do mundo

Ignorar essa crise é permitir que ela continue. O mundo precisa cobrar do governo nigeriano uma postura firme contra o extremismo e exigir que organismos internacionais atuem na proteção das minorias religiosas.
É preciso também que a imprensa internacional rompa o silêncio e reconheça que há, hoje, na Nigéria, uma das piores crises humanitárias e religiosas do planeta.

Conclusão

O que acontece na Nigéria não é apenas um conflito local — é uma catástrofe humana e moral. A cada semana, novas famílias cristãs são assassinadas, igrejas destruídas e comunidades inteiras apagadas do mapa. Tudo isso sob o olhar indiferente de um mundo distraído.

Dar visibilidade a essa realidade é o primeiro passo para quebrar o ciclo de silêncio, impunidade e esquecimento. O sangue derramado na Nigéria clama por justiça — e por voz.


Referências: