sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Controle sua Dopamina - ela pode estar "Roubando" sua Vida!


 

Você já teve a sensação de que sabe exatamente o que precisa fazer: ler um livro, treinar ou focar em um projeto; mas, na hora de agir, seu cérebro parece "travar"? Esse fenômeno não é apenas procrastinação; é um sequestro biológico causado pela abundância dopaminérgica. O mundo moderno foi desenhado para "hackear" nosso sistema de recompensa.

O Mecanismo Biológico: A Balança Prazer-Dor

A dopamina não é o neurotransmissor do prazer em si, mas sim o da antecipação e busca. Segundo a Dra. Anna Lembke, psiquiatra da Universidade de Stanford e autora de Nação Dopamina (uma das fontes centrais desta discussão), nosso cérebro funciona como uma balança.

 Existe um principio chamado Princípio do Processo Oponente (opponent-process theory), o qual indica que um estímulo intenso gera uma reação. O cérebro, para manter estabilidade (homeostase), gera uma resposta oposta compensatória. 

Exemplos clássicos:

  • Drogas → euforia → depois ansiedade / disforia

  • Açúcar → pico → queda

  • Estímulos digitais → excitação → apatia / tédio

 Quando buscamos estímulos rápidos — como o scroll infinito das redes sociais ou vídeos curtos — jogamos um peso enorme no lado do prazer. É por isso que, após um longo período de estímulo digital, você não se sente relaxado, mas sim ansioso, irritado e com um profundo sentimento de vazio.

O Impacto na Vida Espiritual e Interior

A espiritualidade e a saúde mental dependem da nossa capacidade de introspecção. No entanto, o excesso de estímulos artificiais destrói o "espaço sagrado" do silêncio.

  • A Fuga do Eu: Quando a balança pende para o lado da dor (o downside dopaminérgico), sentimos um desconforto existencial. Em vez de processarmos esse sentimento, recorremos a mais dopamina barata para "anestesiar" a dor.

  • Perda de Presença: Como aponta o neurocientista Andrew Huberman, a dopamina foca o nosso olhar no "lá e então" (o próximo vídeo, a próxima curtida), impedindo-nos de vivenciar o "aqui e agora", essencial para a oração, meditação e conexão espiritual.

A Erosão das Relações e dos Bons Hábitos

O vício em recompensas instantâneas cria o que se chama de dessensibilização dos receptores. Atividades que exigem esforço e oferecem recompensa tardia começam a parecer insuportáveis:

  • Relações Reais: Exigem presença, escuta e vulnerabilidade — processos lentos que liberam oxitocina. Perto da descarga elétrica de um vídeo viral, a interação humana parece "tediosa".

  • Exercícios e Leitura: São fontes de dopamina de base estável. Ao contrário da dopamina digital, elas fortalecem a resiliência. Porém, para um cérebro viciado, a "fricção" para iniciar essas tarefas torna-se uma barreira quase intransponível.

O Caminho de Volta: O Protocolo de Desintoxicação

O objetivo de um "detox" não é eliminar a dopamina, mas sim recalibrar o nível de base. O protocolo sugerido envolve períodos de abstinência de estímulos "hiper-reais" (como telas e alimentos ultraprocessados) por 7 a 14 dias.

Ao permitir que a "balança" se estabilize, você recupera a capacidade de sentir prazer no comum: no sabor da comida simples, na profundidade de uma conversa e na paz do silêncio.


Fontes de Referência:

  • Cooke, Pedro. O Protocolo Completo de Desintoxicação de Dopamina. YouTube, 2026.

  • Lembke, Anna. Nação Dopamina: Encontre o equilíbrio na era da indulgência. Rio de Janeiro: Vestígio, 2021.

  • Huberman, Andrew. Controlling Your Dopamine For Motivation, Focus & Satisfaction. Huberman Lab Podcast.

  • Sepah, Cameron. The Dopamine Fast 2.0. (Conceito original de jejum de estímulos).





quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O despertar do Peregrino


 

A obra clássica O Peregrino, de John Bunyan, atravessa os séculos como um espelho espiritual no qual cada cristão pode se enxergar. Nela, o personagem principal, chamado Cristão, representa todo aquele que, em algum momento da vida, desperta para a realidade do pecado, da salvação e da necessidade urgente de caminhar em direção ao Reino de Deus. Esse despertar não é confortável, nem simples — é profundo, inquietante e transformador.

Cristão vive inicialmente na “Cidade da Destruição”, símbolo de um mundo afastado de Deus, guiado por valores contrários à verdade divina. Ao perceber o peso que carrega nas costas — imagem clara da culpa e do pecado — ele entende que não pode continuar vivendo como antes. Esse é o ponto crucial do despertar: quando o indivíduo reconhece que a vida que levava, embora aparentemente normal ou aceitável, o conduz à perdição. Assim como Cristão, o cristão dos nossos dias vive cercado por distrações, prazeres imediatos, relativização do pecado e ideologias que negam ou distorcem a verdade bíblica. O mundo moderno, com sua velocidade, entretenimento constante e falsas promessas de felicidade, muitas vezes anestesia a consciência espiritual e tira o foco da realidade celestial.

A decisão de Cristão de abandonar a antiga vida e iniciar sua peregrinação espiritual representa uma ruptura necessária. Seguir a Cristo nunca foi um caminho de comodidade. Pelo contrário, é um percurso marcado por renúncia, escolhas difíceis e oposição. Ao longo da jornada, Cristão enfrenta pântanos, vales sombrios, prisões e inimigos disfarçados de amigos. Essas armadilhas simbolizam os desafios enfrentados pelo cristão hoje: falsos mestres que pregam um evangelho diluído, ideologias que exaltam o “eu” acima de Deus, credos e doutrinas que parecem atraentes, mas que desviam da verdade das Escrituras. São instrumentos sutis que, se não discernidos, conduzem à perdição.

Uma das grandes lições do percurso de Cristão é que o perigo nem sempre se apresenta de forma evidente. Muitas ciladas surgem como atalhos, soluções rápidas ou discursos aparentemente piedosos. Bunyan mostra que nem todo caminho que parece mais fácil vem de Deus. Da mesma forma, o cristão contemporâneo precisa exercer vigilância espiritual, examinando tudo à luz da Palavra, e não apenas pelas emoções, tendências culturais ou popularidade de determinadas ideias.

Outro ensinamento fundamental é a perseverança. Cristão tropeça, cai, erra e, em alguns momentos, quase desiste. No entanto, ele se levanta, se arrepende e continua caminhando. Isso revela que a vida cristã não é marcada pela perfeição, mas pela constância. Permanecer firme até o fim exige dependência de Deus, comunhão, oração e fidelidade à verdade, mesmo quando o caminho é solitário ou doloroso.

Por fim, O Peregrino nos lembra que o destino final vale cada sacrifício. Cristão não perde de vista a Cidade Celestial, e é essa esperança que o sustenta. Em um mundo cada vez mais avesso aos valores do Reino de Deus, o despertar do peregrino hoje passa por recuperar essa visão eterna. Manter os olhos no que é eterno, resistir às distrações passageiras e permanecer fiel, mesmo diante das armadilhas do caminho, é o chamado de todo cristão que decidiu despertar e peregrinar até o fim.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Como sair da mornidão para o calor espiritual?

 


Apocalipse 3:15–16 é um dos textos mais desconfortáveis do Novo Testamento. Não porque seja difícil de entender, mas porque é difícil de aceitar. Jesus não fala ali com incrédulos declarados, nem com perseguidores da fé, mas com uma igreja organizada, ativa e convencida de que estava bem. Ainda assim, Ele a chama de morna  e afirma que esse estado é mais repulsivo do que estar frio.

O cristão morno não é alguém sem religião. É alguém com religião suficiente para manter a consciência tranquila, mas não o bastante para transformar a vida. Ele ora, lê a Bíblia, frequenta a igreja — porém tudo isso acontece sem risco, sem custo e sem dependência real de Deus. A fé se torna um acessório, não o eixo da existência.

O problema é que a mornidão dificilmente é percebida por quem a vive. Assim como Laodiceia, o cristão morno costuma dizer: “estou rico, estou bem, não me falta nada”. Só que, aos olhos de Cristo, falta tudo o que realmente importa: fervor, zelo, sensibilidade espiritual e sede de eternidade.

A transformação começa quando essa ilusão cai. Não é um momento emocional, mas um despertar honesto. A pessoa percebe que sua fé não a confronta mais, não a incomoda mais e não a move mais. Esse reconhecimento é doloroso, mas absolutamente necessário. Sem ele, qualquer tentativa de mudança será apenas maquiagem espiritual.

A partir daí, a virada não acontece com o simples aumento de atividades religiosas. Ir mais à igreja, ler mais capítulos da Bíblia ou fazer cursos teológicos pode até ocupar a agenda, mas não garante fogo no coração. Laodiceia já tinha tudo isso. O que ela não tinha era custo espiritual.

Jesus é direto ao prescrever o caminho: “compra de mim ouro refinado pelo fogo”. Ouro só se purifica no fogo, e fé só se torna viva quando passa por experiências que quebram a autossuficiência. O cristão começa a esquentar quando decide obedecer de forma prática, mesmo quando isso exige renúncia. Quando escolhe servir em vez de apenas assistir. Quando troca conforto por fidelidade. Quando diz “não” a pecados tolerados e “sim” a mudanças reais.

Outro passo essencial é abandonar a ideia de que espiritualidade se mede por quantidade de informação. Conhecimento bíblico sem obediência não aquece — frequentemente esfria ainda mais. O fogo volta quando a Palavra deixa de ser apenas estudada e passa a ser praticada, mesmo nas pequenas decisões diárias. Ler menos, obedecer mais. Orar menos pedidos e mais rendição.

Também é decisivo colocar-se, de forma intencional, em situações que exigem dependência de Deus. A fé esfria em ambientes totalmente controlados, onde nada nos desafia e nada nos custa. Ela aquece quando somos levados além de nossas forças: ao servir pessoas difíceis, ao testemunhar sem garantia de aceitação, ao assumir responsabilidades maiores do que nossa capacidade. É nesses lugares que o Espírito Santo deixa de ser teoria e se torna realidade.

Por fim, o cristão deixa de ser morno quando volta a viver com os olhos na eternidade. A mornidão é filha do excesso de presente e da ausência de futuro eterno. Quando o céu volta a ser real, o conforto perde poder, o pecado perde charme e a fé ganha urgência.

Ser “quente” não é ser perfeito, nem viver em êxtase espiritual constante. É viver uma fé consciente, intencional e custosa. Uma fé que sangra às vezes, mas que também vive. Uma fé que não se contenta em parecer cristã, mas insiste em ser cristã.

E é exatamente esse tipo de fé que Cristo ainda procura — e ainda convida a reacender

Documentário: A natureza após o Dilúvio | Ep. 12 | ORIGENS

 


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A Soberania de Deus e o Mal no mundo

 


A concepção determinista segundo a qual Deus determina absolutamente tudo o que ocorre,  tanto o bem quanto o mal, é bastante comum em alguns círculos cristãos. Nessa visão, tragédias, doenças, violências e sofrimentos seriam sempre expressão direta da vontade divina ou parte de um propósito secreto e imutável de Deus para a vida de cada pessoa. No entanto, quando analisamos o testemunho bíblico de forma mais ampla, especialmente à luz do tema do grande conflito entre o bem e o mal, essa interpretação se mostra limitada e, em muitos aspectos, inconsistente com o caráter de Deus revelado nas Escrituras.

A Bíblia apresenta Deus como soberano, mas essa soberania não se expressa por meio de um determinismo absoluto. Pelo contrário, Deus escolheu criar seres livres, capazes de amar, obedecer ou rebelar-se. Essa liberdade implica riscos reais. Desde a origem do mal com Lúcifer (Is 14:12–15; Ez 28:12–17), fica claro que Deus não é o autor do mal, nem o desejou. A rebelião angelical não foi um ato deliberado de Deus, mas o resultado do mau uso da liberdade concedida. Se atribuirmos a Deus cada mal que Ele permite, seríamos forçados a concluir que a própria rebelião de Satanás foi planejada por Ele — algo que contradiz frontalmente textos como Tiago 1:13–17, que afirmam que Deus não tenta ninguém para o mal.

A distinção bíblica entre vontade permissiva e vontade ideal de Deus é essencial nesse debate. Um exemplo clássico é o pedido de Israel por um rei. Em 1 Samuel 8, o povo insiste em ter um monarca “como todas as nações”. Deus deixa claro a Samuel que esse pedido não era do Seu agrado, pois representava a rejeição de Sua liderança direta (1Sm 8:7). Ainda assim, Deus permite que Israel tenha um rei, advertindo-os das consequências. Esse episódio demonstra que nem tudo o que Deus permite corresponde ao que Ele deseja ou aprova.

Esse princípio se aplica também ao sofrimento humano. A Bíblia não ensina que Deus deseje doenças, tragédias ou mortes prematuras para cumprir propósitos ocultos. Pelo contrário, Jesus revelou um Deus que cura, restaura e se compadece. Quando confrontado com a ideia de que uma tragédia específica era resultado direto do pecado individual, Cristo rejeitou essa lógica simplista (Lc 13:1–5; Jo 9:1–3). O mundo caído está sujeito a forças diversas: a ação de Satanás (Jo 10:10; 1Pe 5:8), o livre-arbítrio humano (Dt 30:19; Gl 6:7) e até elementos de contingência e acaso (“tempo e acaso sobrevêm a todos”, Ec 9:11).

Isso não significa que Deus esteja ausente ou impotente diante do mal. Muitas vezes, Ele limita, neutraliza ou reverte os efeitos da ação maligna. No episódio de Balaão, por exemplo, Deus não desejava amaldiçoar Israel, e transformou a intenção perversa em bênção (Nm 22–24; Nm 23:8,20). Em outras situações, Deus converte tragédias em oportunidades de revelação de Sua glória, como na ressurreição de Lázaro (Jo 11) ou da filha de Jairo (Mc 5:35–43). Contudo, isso não implica que fosse Seu propósito original que essas pessoas morressem ou sofressem; antes, Ele age dentro da realidade do mal para produzir redenção.

É verdade que a Bíblia também apresenta momentos em que Deus intervém trazendo juízo e destruição, como no dilúvio (Gn 6–9), em Sodoma e Gomorra (Gn 19) ou nas pragas do Egito (Êx 7–12). Esses eventos, porém, são retratados como atos excepcionais de juízo diante de uma corrupção extrema e persistente, e não como o modo normal de Deus agir no mundo. Mesmo nesses casos, a Escritura ressalta a paciência divina e o desejo de arrependimento antes da execução do juízo (Gn 6:3; Ez 18:23; 2Pe 3:9).

Assim, a Bíblia apresenta um dinamismo de fatores atuando na história: a soberania de Deus, a liberdade humana, a atuação de Satanás e as consequências naturais de um mundo caído. Deus continua soberano, mas Ele condiciona o exercício dessa soberania para preservar a liberdade moral necessária à existência do amor e à resolução do grande conflito. Como afirma Ellen G. White em harmonia com esse ensino bíblico, “Deus nunca força a vontade ou a consciência”.

Portanto, não podemos afirmar que toda dor, enfermidade ou tragédia seja a realização direta da vontade de Deus. Muitas coisas Ele permite sem aprovar; outras Ele impede; e, em todos os casos, Ele trabalha para redimir, restaurar e, por fim, erradicar definitivamente o mal (Ap 21:4). Essa compreensão preserva tanto a soberania divina quanto o Seu caráter de amor, justiça e bondade, revelado plenamente em Jesus Cristo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Considerações sobre a besta do Apocalipse e o fim dos tempos

 



Muitos veem a besta do Apocalipse tendo uma expressão aberta contra Cristo. Mas o caráter dela é definido pela palavra grega anti, que não significa apenas "contra", mas também "aquele que usurpa o lugar de". A besta pode ser ilustrada por como um "fã patológico" que odeia o mestre, mas imita seus trejeitos para tomar o seu lugar.

Na Bíblia encontramos uma  "contrafação do poder de Cristo" pela besta ou anticristo em diversos pontos:

  • A aparência: Enquanto Cristo é o Cordeiro que foi morto e reviveu, a besta surge com uma aparência de cordeiro, mas fala como dragão (Apoc. 5:12-14; 13:11).

  • A ferida mortal: Assim como Cristo ressuscitou, a besta tem uma cabeça degolada que parece reviver, imitando o milagre da ressurreição (Apoc. 13:3).

  • A origem: O Anticristo surge de dentro do seio do cristianismo (apostasia), apresentando-se como uma alternativa religiosa e moral (II Tes. 2:3-4).

A Paz como Instrumento de Engano

O grande perigo do fim dos tempos é o engano espiritual. A besta não se apresentará como um monstro horrendo que todos repudiarão, mas como uma figura capaz de trazer ordem e paz a um mundo em colapso. Por isso, a vigilância sugerida por Cristo não é um chamado ao medo, mas um convite à profundidade espiritual para não sermos confundidos por uma imitação que, embora pareça o verdadeiro "Cordeiro", possui a voz e as intenções do dragão.

Um ponto crucial e frequentemente ignorado é que o cenário final do mundo pode não ser de caos bélico total, mas de uma paz pacificada e unificada pelo Anticristo. Enquanto a compreensão popular foca nas guerras como o sinal do fim, o texto bíblico sugere que o Anticristo surgirá como um "salvador da pátria", propondo um projeto para evitar uma destruição planetária completa.

Essa paz, ainda que paliativa e baseada em um controle rígido (como a impossibilidade de comprar ou vender sem a marca da besta), fará com que o mundo se "maravilhe". É sob esse manto de estabilidade e segurança que a humanidade será levada ao engano, acreditando ter encontrado a solução para seus maiores conflitos.

Nesta perspectiva, o Armagedom deve ser entendido não como um confronto bélico ou militar clássico, mas como um conflito moral e espiritual definitivo. O discernimento será a ferramenta principal, pois a batalha central gira em torno da adoração e da identidade: o selo de Deus contra a marca da besta. Não se trata apenas de quem tem o maior exército, mas de quem detém a verdade no coração.


Quanto falta para o fim?

Guerras e rumores de guerras sempre estiveram presentes na história da humanidade. Mas o que se sobressai nos tempos atuais é o aspecto global. Historicamente, grandes conflitos como a Primeira e a Segunda Guerra Mundial foram eventos majoritariamente eurocêntricos. Mas agora com os conflitos atuais e a possibilidade de uma terceira guerra mundial, as consequências e a escala do conflito serão de fato globais. 

Pela primeira vez na história, vivemos em um mundo onde uma crise pode afetar simultaneamente cada indivíduo no planeta, independentemente de sua fé, ideologia ou localização geográfica. A última pandemia  é um exemplo claro de fatos com abrangência global, onde todos, sem exceção, foram submetidos às mesmas regras e desafios. Assim as guerras atuais e as crises econômicas decorrentes delas afetam o contexto global e não meramente o local ou regional, como foram a maioria das guerras do passado apresentadas nos registros históricos. 

Condizente a isto os fatos referentes ao tempo do fim, registrados no Apocalipse, apontam para algo literalmente universal (Apoc. 13:12,14). Dentro deste contexto surge outra questão consequente, o Senhor Jesus virá também porque o mundo não aguentaria muito tempo - certamente seria destruído pelo próprio homem, pela escala dos conflitos e crises decorrentes.




quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

OneVoice27 – Um Movimento Global para Falar de Jesus em 2027


 A Igreja Adventista do Sétimo Dia está se preparando para uma das maiores iniciativas missionárias de sua história — OneVoice27: Missão para Todos, um movimento global que visa mobilizar membros e comunidades em todo o planeta para proclamar a mensagem de esperança em Jesus Cristo em setembro de 2027.

O que é o OneVoice27?

OneVoice27 é uma iniciativa estratégica lançada durante o Concílio Anual da Associação Geral em 2025, com o propósito de integrar esforços de evangelismo digital e ação local em igrejas e comunidades. Trata-se de uma mobilização mundial para falar de Jesus com uma só voz, sincronizando mensagem, mídia e missão.

O nome “OneVoice” representa a ideia de unidade na missão, convidando cada membro, independente do país ou cultura, a participar ativamente desse movimento. A estratégia pretende que mensagens de esperança, centradas em Cristo e nas profecias bíblicas, sejam compartilhadas ao mesmo tempo em diversos canais e plataformas — redes sociais, rádio, televisão e iniciativas locais.

Por que 2027?

O ano de 2027 foi escolhido por um motivo especial: ele marca o 2.000º aniversário do batismo e unção de Jesus, quando começou Seu ministério público. Essa data é vista pela liderança adventista como um “momento providencial” para colocar novamente o foco no evangelho de Cristo, sua vida, missão, morte e promessa de retorno.

Como a campanha vai funcionar

A proposta é combinar grande alcance digital com engajamento prático nas comunidades locais:

  • Plataformas digitais: conteúdos cristocêntricos que poderão alcançar bilhões de pessoas pelo mundo, transmitindo mensagens bíblicas que falam de esperança, amor e salvação.

  • Rede de comunicação adventista: utilização de canais como rádio, TV e internet para ampliar o alcance das mensagens.

  • Igrejas locais e membros: incentivo para que cada congregação e cada cristão utilize suas redes e oportunidades pessoais para compartilhar sua fé e convidar pessoas ao estudo da Bíblia.

  • Preparação espiritual: ênfase em oração, estudo das profecias de Daniel e Apocalipse e leitura diária de livros espirituais, especialmente O Desejado de Todas as Nações, para manter o foco na vida e missão de Cristo.

Um convite para todos

Os líderes da Igreja Adventista destacam que a missão é de todos — cada membro é chamado a participar. Não se trata apenas de uma campanha publicitária, mas de uma mobilização espiritual e prática, com envolvimento das igrejas e de cada pessoa disposta a compartilhar a mensagem de amor e esperança encontrada em Jesus Cristo. 

Fonte: Noticias Adventistas




O impacto do Cristianismo no mundo Greco-romano

 



A pregação do cristianismo no primeiro século produziu um impacto profundo e inovador no tecido cultural, religioso e social do Império Romano, majoritariamente pagão. Essa inovação não se limitou à esfera ética — embora nela tenha sido notável — mas alcançou também a espiritualidade, o modo de compreender o divino e a própria experiência religiosa. O cristianismo apresentou uma nova visão de mundo que, ao mesmo tempo em que confrontava valores estabelecidos, oferecia sentido, esperança e uma vivência mística capaz de atrair e agregar pessoas de diferentes camadas sociais.

Do ponto de vista ético, a mensagem cristã introduziu uma ruptura significativa com os padrões dominantes. O mundo greco-romano valorizava a honra, a hierarquia, a força e a reciprocidade; a compaixão era frequentemente limitada ao círculo familiar ou cívico. O evangelho, porém, proclamou o amor ao próximo sem distinção, incluindo pobres, estrangeiros, doentes e até inimigos. O altruísmo cristão não era apenas uma virtude filosófica, mas uma exigência prática: cuidar dos necessitados, compartilhar bens, perdoar ofensas e reconhecer a dignidade de todos como criaturas amadas por Deus. Essa ética contracultural produziu comunidades marcadas pela solidariedade e pela hospitalidade, algo profundamente atraente em uma sociedade fragmentada por desigualdades sociais e pela insegurança da vida urbana.

Entretanto, o impacto do cristianismo foi ainda mais radical no campo da espiritualidade. Diferentemente da religiosidade pagã, centrada em ritos públicos, sacrifícios utilitários e na tentativa de apaziguar divindades distantes ou caprichosas, o cristianismo apresentou um Deus pessoal, próximo e interessado na história humana. Esse Deus não era apenas objeto de culto, mas agente de graça: alguém que age, perdoa, transforma e se relaciona com o ser humano. A adoração cristã, muitas vezes realizada em casas e de forma comunitária, enfatizava a oração, a leitura das Escrituras, a partilha do pão e a experiência de comunhão, deslocando o foco do espetáculo ritual para a vivência interior e comunitária da fé.

Nesse contexto, o aspecto místico da mensagem cristã desempenhou papel decisivo. A convicção de que o Espírito Santo atuava dinamicamente na vida dos fiéis — consolando, curando, inspirando e concedendo dons espirituais — conferia à fé cristã um caráter vivo e experiencial. Não se tratava apenas de aderir a uma doutrina moral ou a um novo conjunto de crenças, mas de participar de uma realidade espiritual transformadora. Testemunhos de conversão, coragem diante da perseguição, alegria no sofrimento e experiências espirituais profundas funcionavam como elementos catalisadores para novas adesões à fé.

Assim, a popularização do cristianismo no primeiro século não pode ser explicada apenas por sua ética elevada ou por sua organização comunitária, embora ambas tenham sido fundamentais. O que realmente distinguiu o cristianismo foi a integração entre ética, espiritualidade e experiência mística: uma fé que unia amor prático, nova compreensão do divino e a convicção de uma presença espiritual ativa no mundo. Em meio ao pluralismo religioso e ao vazio espiritual de muitos cultos pagãos, essa proposta ofereceu não apenas respostas intelectuais, mas uma experiência de sentido, pertencimento e transformação pessoal — elementos que explicam sua força expansiva e duradoura na história.


Por que Jesus Precisa Voltar?

 


A esperança da volta de Jesus não nasce apenas do desejo humano por alívio ou justiça, mas, antes de tudo, do cumprimento do propósito eterno de Deus. Desde o princípio, a história da redenção aponta para esse desfecho: Deus intervindo definitivamente para restaurar aquilo que o pecado corrompeu, pôr fim ao mal e estabelecer plenamente o Seu reino de justiça, verdade e amor. Esse é o motivo central, teológico e inegociável: a fidelidade de Deus às Suas promessas.

Entretanto, quando observamos o plano humano, o tempo presente parece dar ainda mais densidade a essa expectativa. Vivemos um momento histórico singular, quase uma encruzilhada civilizatória, em que diferentes frentes da história da humanidade avançam simultaneamente e de forma acelerada. Nunca tantos capítulos decisivos estiveram abertos ao mesmo tempo.

No campo tecnológico, a ascensão vertiginosa da inteligência artificial levanta questões profundas sobre ética, controle, autonomia humana e limites morais. Trata-se de um progresso que, embora promissor em muitos aspectos, também carrega potenciais riscos difíceis de prever e controlar, alterando rapidamente relações de trabalho, comunicação, poder e até a própria compreensão do que significa ser humano.

Na geopolítica, o cenário é igualmente inquietante. Conflitos regionais, alianças instáveis e disputas por poder e recursos alimentam a possibilidade real  e  previsível de uma terceira guerra mundial. O equilíbrio global parece cada vez mais frágil, sustentado por acordos provisórios e interesses imediatos, mais do que por valores duradouros.

Somam-se a isso transformações econômicas gigantescas: crises recorrentes, endividamento global, concentração de riqueza, instabilidade dos sistemas financeiros e mudanças estruturais que afetam bilhões de pessoas. A sensação de insegurança econômica tornou-se quase permanente, corroendo a confiança no futuro.

Esse quadro pode ser ainda agravado pela questão ambiental. Embora existam negacionistas climáticos que minimizem o problema, a realidade mostra que o sistema natural é sensível e pode entrar em colapso de forma repentina. Eventos aleatórios e extremos, como o desprendimento de geleiras colossais, a exemplo da Thwaites, evidenciam que não se trata apenas de debates ideológicos, mas de riscos concretos, com potencial de desencadear efeitos em cadeia sobre oceanos, clima, economia e sobrevivência humana.

Diante de tamanha complexidade, surgem tentativas de soluções políticas e diplomáticas que prometem alívio imediato. Propostas como um suposto “Conselho de Paz”, aventadas por lideranças globais, podem gerar um conforto momentâneo e a sensação de que finalmente se encontrou um caminho para a estabilidade. Contudo, como todo paliativo, tais iniciativas carregam o risco de serem enganosas, produzindo uma tranquilidade artificial, sustentada mais por discursos do que por transformações reais do coração humano.

É nesse contexto que as palavras do apóstolo Paulo ecoam com força renovada: “Quando disserem: Paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição” (1 Tessalonicenses 5:3). Não se trata de desprezar esforços humanos por paz, mas de reconhecer seus limites. Sem a restauração profunda que só Deus pode operar, a paz proclamada pode ser apenas aparente, frágil e passageira.

Assim, Jesus precisa voltar não apenas para encerrar um ciclo histórico marcado por crises, mas para cumprir o propósito maior de Deus: julgar o mal, restaurar a criação, consolar os que sofrem e estabelecer uma realidade onde justiça e paz não sejam slogans políticos, mas princípios eternos. A esperança cristã não está em soluções temporárias, mas na certeza de que a história não caminha para o caos definitivo, e sim para o encontro com Aquele que é o Senhor da história.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O espírito da nossa época!

 


Nos dias finais da história humana, os sentimentos, pensamentos e ideias que moldam a mentalidade coletiva revelam um homem cada vez mais centrado em si mesmo. O “eu” tornou-se o eixo da existência: seus desejos, prazeres e ambições ocupam o lugar de valores e princípios mais nobres e sublimes, tais como: Deus, família, comunidade. A sociedade contemporânea é marcada por um caráter profundamente narcisista e hedonista, no qual o valor da vida é medido pela satisfação imediata, pela exaltação da imagem e pela busca incessante do prazer. Nesse cenário, o próximo deixa de ser objeto de amor e passa a ser meio; e Deus, quando não é negado, é reduzido a instrumento para a realização de vontades pessoais.

Esse espírito que domina os últimos dias cumpre com precisão as palavras do apóstolo Paulo, ao descrever homens amantes de si mesmos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus, com aparência de piedade, mas negando o seu poder (II Timóteo 3:1-5). Trata-se de uma geração saturada de informações, mas faminta de verdade; cheia de estímulos, porém vazia de sentido. O pecado já não causa espanto, e a vaidade do mundo, com seus vícios e idolatrias modernas, tornou-se não apenas comum, mas desejável. Sempre foi assim em certa medida, mas no tempo final esse fator se intensifica e se consolida como uma das maiores causas da rejeição da salvação e da permanência deliberada na vida de pecado.

Diante desse quadro, a exortação apostólica ecoa com urgência: buscar as “coisas do alto”, onde Cristo vive, e não as que são da terra (Colessenses 3:1-2). É um chamado à contramão da cultura dominante, um convite à formação de um caráter moldado pelo Espírito e não pelos impulsos. Fortalecer-se no espírito, perseverar na fé e viver como servo fiel tornam-se atos de resistência santa em meio a um mundo que celebra a autossuficiência e despreza a submissão a Deus.

Por isso, a mensagem final para este tempo não é de acomodação, mas de alerta e misericórdia: “Temei a Deus e dai-Lhe glória, porque vinda é a hora do Seu juízo”(Apoc. 14:7). Esse anúncio solene representa o último chamado divino à consciência humana, a derradeira oportunidade de arrependimento antes da volta de Jesus. Não é uma mensagem de condenação, mas de graça; não de medo, mas de esperança. É o apelo final para que pecadores abandonem as vaidades passageiras e se voltem ao Deus eterno, escolhendo a vida, antes que a história chegue ao seu desfecho definitivo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Como superar a fadiga Emocional e Espiritual?

 

Quando o cansaço ou fadiga emocional e espiritual se instala, a vida parece perder cor, sentido e leveza. A mente fica sobrecarregada, o coração pesado e até aquilo que antes trazia alegria passa a exigir esforço. Nesses momentos, é importante lembrar que esse tipo de exaustão não é sinal de fraqueza, mas um alerta interior de que algo precisa de cuidado, pausa e realinhamento.

O primeiro passo para obter alívio é reconhecer o próprio estado sem culpa ou negação. Admitir que se está cansado emocional e espiritualmente é um ato de coragem. Muitas pessoas tentam continuar funcionando no “piloto automático”, ignorando os sinais internos, o que apenas aprofunda o esgotamento. Aceitar a necessidade de parar, ainda que brevemente, é essencial para iniciar a cura.

Em seguida, é fundamental reduzir o excesso de cargas. Isso inclui compromissos, expectativas externas e, principalmente, a autocrítica constante. Nem tudo precisa ser resolvido agora. Aprender a dizer “não”, estabelecer limites saudáveis e permitir-se descansar são atitudes que protegem a saúde emocional e espiritual. O descanso não é perda de tempo; é restauração.

No campo emocional, expressar o que se sente traz grande alívio. Conversar com alguém de confiança, escrever sobre as próprias dores ou buscar apoio profissional pode ajudar a organizar pensamentos e emoções que estão confusos ou reprimidos. Emoções não expressas tendem a se transformar em peso interno.

Espiritualmente, o caminho da cura passa por retomar a conexão com o que dá sentido à vida. Recorrer à oração, meditação, leitura de textos espirituais, como a Bíblia, ou momentos de silêncio. Também pode ser salutar o contato com a natureza, a prática da gratidão ou a reflexão sobre valores profundos. O importante não é o ritual em si, mas a sinceridade do encontro interior.

Também é necessário abandonar a ideia de perfeição espiritual desconectada da graça de Jesus. Muitas pessoas sofrem porque acreditam que deveriam estar sempre fortes, confiantes e cheias de fé. No entanto, o crescimento espiritual verdadeiro inclui fases de silêncio, dúvidas e fragilidade. Essas fases não são retrocesso, mas oportunidades de amadurecimento e aprofundamento.

Pequenos hábitos diários fazem grande diferença: cuidar do corpo, dormir adequadamente, alimentar-se melhor, respirar com atenção, caminhar sem pressa. O emocional e o espiritual não estão separados do físico; eles se influenciam mutuamente. Um corpo exausto dificulta qualquer processo de cura interior.

Por fim, é importante lembrar que a cura é um processo, não um evento imediato. Alívio pode vir aos poucos, em pequenos sinais: um pensamento mais leve, um momento de paz, uma esperança discreta que retorna. Respeitar o próprio ritmo, cultivar a paciência consigo mesmo e confiar que o descanso e a reconexão produzirão frutos é parte essencial do caminho.

Cuidar do cansaço emocional e espiritual é, acima de tudo, um ato de amor próprio. É permitir-se ser humano, incompleto, em processo — e ainda assim digno de cuidado, acolhimento e renovação.




sábado, 10 de janeiro de 2026

Terremotos estão abalando a geleira do Apocalipse na Antártida

 


Sob a aparência estática e silenciosa da Antártida, um fenômeno inquietante vem ganhando atenção científica. Centenas de terremotos glaciais estão sendo registrados sob grandes geleiras, incluindo a temida Geleira Thwaites, conhecida como Geleira do Apocalipse. Esses tremores não são causados por placas tectônicas, mas pelo próprio gelo em movimento, um sinal claro de que algo está mudando de forma profunda no continente gelado.

Diferentemente dos terremotos convencionais, esses eventos sísmicos são produzidos quando enormes blocos de gelo se desprendem, colidem ou giram ao entrar em contato com o oceano. Como geram vibrações de baixa frequência, passam despercebidos por métodos tradicionais de monitoramento. Ainda assim, eles carregam informações valiosas sobre a dinâmica interna das geleiras e seus riscos futuros.


A Geleira Thwaites ocupa uma posição-chave na Antártida Ocidental. Se entrar em colapso total, poderá contribuir para uma elevação global do nível do mar de até três metros. O registro de mais de duas centenas de terremotos glaciais nessa região indica que o gelo está sofrendo tensões mecânicas intensas, associadas ao seu rápido deslocamento. Saiba mais <aqui>.




sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

O equilibrio e perfeição da verdadeira religiosidade!

 


Quando questionado sobre qual seria o maior mandamento da Lei, Jesus respondeu de forma clara e definitiva:

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:37–39).

Nessas poucas palavras, Cristo revelou o equilíbrio perfeito da Lei de Deus. Não se trata de dois princípios independentes, mas de uma unidade inseparável. O amor a Deus e o amor ao próximo são as duas faces da verdadeira religião bíblica.

Esse equilíbrio é claramente expresso nos Dez Mandamentos. Os quatro primeiros tratam diretamente dos deveres do ser humano para com Deus: quem Ele é, como deve ser adorado, o respeito ao Seu nome e o reconhecimento do sábado como memorial da criação (Êxodo 20:1–11). Já os seis últimos regulam os relacionamentos humanos — respeito à vida, à família, à propriedade, à verdade e à dignidade do outro (Êxodo 20:12–17). A ordem não é casual: o relacionamento correto com o próximo nasce, necessariamente, de um relacionamento correto com Deus.

Um dos grandes equívocos do nosso tempo é considerar suficiente apenas o aspecto horizontal da Lei — isto é, ser ético, respeitoso, solidário e cumpridor dos deveres sociais. Sem dúvida, esses valores são bons, necessários e desejáveis. A Bíblia os afirma claramente:

“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam” (Mateus 7:12).

No entanto, quando esse fundamento humano é isolado de sua base espiritual, ele se torna incompleto. A verdadeira religiosidade não se sustenta apenas na empatia ou na sensibilidade social, por mais nobres que sejam. A Escritura declara que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Provérbios 9:10), e que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6).

O próprio apóstolo João é enfático ao afirmar que não existe amor genuíno ao próximo sem amor a Deus:

“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso” (1 João 4:20).
Mas ele também deixa claro o inverso: o amor ao próximo é fruto da relação com Deus, não um substituto dela (1 João 4:19).

Ellen G. White expressa esse princípio de forma equilibrada ao afirmar:

“A lei de Deus é o fundamento de todo o governo moral. Ela apresenta dois grandes princípios: amor a Deus e amor ao homem” (Caminho a Cristo, p. 60).
Em outra declaração, ela adverte contra a tentativa de separar esses aspectos:
“A obediência à lei de Deus exige amor a Deus e amor ao próximo. Uma religião que negligencia um desses pontos não pode ser aceita por Ele” (O Maior Discurso de Cristo, p. 49).

Portanto, considerar apenas a dimensão social da fé — ainda que correta e necessária — resulta em uma espiritualidade incompleta. A Palavra de Deus nos chama a reconhecer o Senhor como o único Ser digno de adoração (Êxodo 20:3; Apocalipse 14:7), colocando-O no centro da vida, das decisões e dos valores. É dessa devoção, desse respeito reverente e desse temor santo que nasce o amor verdadeiro ao próximo.

Em síntese, a Lei de Deus não oprime nem divide; ela harmoniza. O amor a Deus orienta o coração, e o amor ao próximo revela esse amor em ações concretas. Separar um do outro é esvaziar o propósito divino. Mas quando ambos caminham juntos, refletem o caráter do próprio Cristo — Aquele que amou perfeitamente ao Pai e se entregou plenamente pelos seres humanos (João 13:34; Filipenses 2:5–8).


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Como estar preparado para a volta de Jesus?


 Há muitos cristãos que caminham há décadas dentro de uma denominação evangélica. Conhecem a Bíblia, a doutrina, os hinos, a linguagem da fé. Já viveram avivamentos, crises, debates teológicos e mudanças na igreja. E, ainda assim, em algum momento silencioso da alma, surge uma inquietação difícil de ignorar: “Falta algo.” Não falta informação, não falta atividade religiosa, não falta convicção doutrinária. O que parece faltar é proximidade com a essência do evangelho.

Quando a prática religiosa se distancia da essência

Com o tempo, é possível confundir fidelidade ao evangelho com enquadramento a um sistema religioso. A fé vai se organizando em agendas, posições, defesas e identidades denominacionais. Nada disso é, em si, errado. O problema surge quando:

  • A ortodoxia cresce, mas o amor esfria

  • A vigilância escatológica substitui a compaixão diária

  • A espera pela volta de Cristo não se traduz em uma vida parecida com a de Cristo

Jesus colocou a realidade do evangelho como uma realidade prática presente, que se traduz e ética, altruísmo, sinceridade, isto é  viver o Reino agora

Por outro lado, sentir-se distante da essência do evangelho não significa abandono da fé, mas um chamado à centralidade. Muitas vezes, o que se perdeu não foi Jesus, mas a simplicidade do caminhar com Ele.

A essência do evangelho não está em saber mais, mas em:

  • Amar mais profundamente

  • Perdoar com mais sinceridade

  • Viver com mais humildade

  • Servir com menos necessidade de reconhecimento

O evangelho é menos sobre estar pronto para o fim e mais sobre ser fiel no caminho.

O preparo não é um estado, é uma relação

Talvez o erro esteja na ideia de “preparo pleno”. A Bíblia não apresenta o preparo como um ponto de chegada, mas como uma permanência:

“Permanecei em mim.”

Estar preparado não é sentir-se completo, mas estar conectado.
Não é ausência de falhas, mas presença de arrependimento genuíno.
Não é segurança em si mesmo, mas dependência contínua de Cristo.

Os discípulos nunca estiveram “prontos” no sentido ideal — e ainda assim caminharam com Jesus.

Neste aspecto a expectativa da volta de Cristo não deveria gerar paralisia espiritual nem culpa constante, mas urgência em viver o evangelho em sua forma mais pura: amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo.


Conclusão: quando a inquietação é graça

Talvez o sentimento de distância seja, na verdade, um convite gracioso  para voltar ao evangelho simples, para trocar desempenho por intimidade, para deixar menos espaço para a religião e mais para Cristo.

Sentir que falta algo pode ser doloroso, mas também pode ser santo. É sinal de que o coração ainda não se conformou com uma religiosidade ritualista ou mecânica. A essência do evangelho não se perde de uma vez — ela vai sendo substituída aos poucos, até que o Espírito nos desperta novamente.

Talvez não exista um momento em que diremos: “Agora estou plenamente preparado.”
Mas existe a possibilidade diária de dizer:
“Hoje, quero viver mais perto do coração de Jesus.”

E, no fim, talvez seja exatamente isso que significa estar preparado.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O Evangelho e a polarização política!

 


O cenário político contemporâneo tem sido marcado por forte polarização, discursos inflamados e tentativas de reduzir a realidade a dois polos antagônicos: progressistas versus conservadores. Nesse ambiente, muitos cristãos, especialmente no meio evangélico, acabam absorvendo essa lógica binária e, não raro, procuram associar o confronto político-ideológico atual às profecias bíblicas, chegando a identificar tais disputas como uma antecipação direta do Armagedom apocalíptico. Essa leitura, porém, revela sérias incongruências quando confrontada com os ensinos de Jesus e com uma análise mais fiel da verdade bíblica.

Jesus não se alinhou a projetos políticos nem a ideologias nacionais. Viveu em um contexto profundamente politizado e opressivo, sob o domínio romano, onde existiam grupos claramente polarizados: zelotes revolucionários, fariseus legalistas, saduceus alinhados ao poder e herodianos colaboradores do império. Ainda assim, Cristo recusou-se a ser instrumentalizado por qualquer dessas agendas. Sua afirmação — “O meu reino não é deste mundo” (João 18:36) — não foi uma fuga da realidade, mas uma declaração clara de que o Reino de Deus opera em outra lógica, superior e transcendente aos jogos de poder humano.

A posição política do cristão, à luz do evangelho, não pode ser confundida com militância ideológica irrestrita nem com nacionalismos religiosos. Quando setores evangélicos tentam sacralizar projetos políticos específicos, transformando líderes, partidos ou nações em instrumentos diretos da vontade divina, incorrem no risco de idolatria e de distorção das Escrituras. O Armagedom bíblico não é um embate entre correntes políticas modernas, mas o desfecho de um conflito espiritual muito mais profundo, que envolve a fidelidade a Deus em oposição aos sistemas humanos que se levantam contra Sua soberania.

A verdade bíblica suplanta o debate político atual justamente porque não se deixa aprisionar por ele. Enquanto a política opera, em grande parte, por interesses particulares, alianças circunstanciais e narrativas convenientes, a doutrina de Jesus chama à coerência moral, à justiça, à misericórdia e à humildade. O cristão é chamado a ser “sal da terra” e “luz do mundo”, não ecoando slogans ou demonizando adversários, mas testemunhando um caráter moldado pelo evangelho, mesmo em meio a um mundo dividido.

Isso não significa indiferença social ou alienação. O cristão pode e deve exercer sua cidadania com responsabilidade, consciência crítica e compromisso ético. Contudo, sua esperança não está na vitória de um espectro político sobre outro, nem na consolidação de um projeto de poder terreno. A história humana, marcada por ciclos de dominação e queda, caminha para um encerramento que não será decidido nas urnas nem nos parlamentos, mas pela segunda vinda de Jesus.

Em tempos de polarização extrema, a fidelidade a Cristo exige discernimento para não confundir o Reino de Deus com reinos humanos. A missão da igreja não é vencer debates ideológicos, mas anunciar uma verdade que transcende todos eles: o governo final de Deus, justo e eterno, diante do qual todo poder humano, progressista ou conservador, se mostrará limitado e passageiro.

domingo, 4 de janeiro de 2026

O Último Império

 

Vivemos tempos de rápidas transformações geopolíticas, culturais e espirituais. Para muitos cristãos que interpretam as profecias bíblicas em perspectiva historicista, especialmente dentro da tradição adventista, os acontecimentos do mundo contemporâneo não são meros fatos isolados: eles se inserem num grande desígnio profético que culmina na segunda vinda de Jesus Cristo. Nesse quadro, a obra O Último Império (Vanderlei Dorneles), publicada pela Casa Publicadora Brasileira (CPB), destaca os Estados Unidos como a última grande potência hegemônica antes do retorno de Cristo, um papel confirmado por muitos escritos de Ellen G. White e evidenciado pelas tensões e eventos atuais no cenário internacional.

O papel dos EUA nas profecias dos últimos dias

Nas páginas de O Último Império, Dorneles resgata a interpretação bíblica de que uma nação — simbolizada de forma semelhante à “besta que emerge da terra” em Apocalipse 13 — terá papel central nos últimos acontecimentos mundiais, influenciando outras nações e exercendo liderança decisiva em questões civis e religiosas. Essa visão parte da interpretação historicista das profecias de Daniel e Apocalipse, na qual os Estados Unidos surgem como potência global com influência marcante sobre os destinos do planeta nas décadas finais da história humana.

Os escritos de Ellen G. White  apontam onde estamos no tempo, enfatizam que os eventos mundiais recentes são sinais de que estamos na “última crise da Terra”: “O mundo está em agitação, as calamidades por terra e mar, o estado incerto da sociedade, os alarmes de guerra, são presságios de que grandes mudanças estão para acontecer na Terra” — e que as profecias estão se cumprindo de forma visível diante de nós. Confira <aqui>.

Em Testemunhos Seletos, Ellen White afirma que nações estrangeiras seguirão o exemplo dos Estados Unidos, especialmente em questões de influência religiosa e civil — uma referência ao modo como a legislação e as pressões sociais adotadas nos EUA podem se tornar modelo para outras nações no período final. (Testemunhos Seletos, vol. 3, pág. 46).

Sinais contemporâneos que corroboram esse papel hegemônico

Enquanto alguns já consideram os EUA como uma nação em decadência, fadada a dar  lugar a outras potências emergentes como a China, surge uma reviravolta  nos acontecimentos provocados pela nova doutrina estadunidense para assuntos estratégicos. 

Esse quadro é relevante não apenas por alguns fatos geopolítico isolados, mas como um sinal da projeção de poder dos EUA em nível mundial — em que decisões e ações dessa nação repercutem diretamente na soberania de outras e reconfiguram alianças, decisões econômicas e políticas regionais e globais. A rapidez e a determinação com que os Estados Unidos executaram ações no Irã e Venezuela  têm sido tema dominante nas manchetes internacionais. 

Para grande parte dos intérpretes proféticos adventistas, isso não é mera coincidência, mas um indicativo de que a nação que emergiu como líder global após a Segunda Guerra Mundial continua a exercer influência decisiva nos eventos que antecedem o fim dos tempos. As pressões econômicas, disputas militares e diplomáticas, e as alianças estratégicas moldam um cenário que muitos entendem como parte das “sinais dos tempos” mencionados nas Escrituras — fenômenos que indicam que a consumação da história está se aproximando.

Ellen White e a urgência da preparação espiritual

Ellen G. White nunca ofereceu datas específicas para a vinda de Cristo — ela advertiu repetidas vezes que “o tempo exato da vinda de Cristo é um mistério que Deus guardou” — mas enfatizou que os sinais dos tempos estão se cumprindo rapidamente e que precisamos estar preparados. Confira <aqui>.

Em Evangelismo, ela escreve:

“As profecias que o grande EU SOU tem dado em Sua Palavra... dizem-nos onde estamos hoje na sucessão dos séculos, e o que se pode esperar no tempo por vir.” Confira <aqui>.

Essa ênfase na conexão entre profecias e acontecimentos mundiais, como tensões entre grandes potências, crises econômicas e conflitos geopolíticos, confirma que estamos vivendo um período que  está diretamente ligado aos “últimos dias” mencionados nas Escrituras.

Reflexão final

Ao ver potências globais em conflito, líderes sendo depostos e realinhamentos geopolíticos acontecendo em escala acelerada, é natural que surja em muitos cristãos o desejo de compreender o significado desses eventos à luz da profecia bíblica. A interpretação historicista, reforçada em obras como O Último Império e nos escritos de Ellen G. White, aponta os Estados Unidos como um eixo de influência relevante nos tempos finais — um papel que, à medida que os eventos se desenrolam, continua a ser objeto de reflexão, debate e estudo.